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quinta-feira, 21 de maio de 2020

Vencendo a Pornografia


Vencendo a pornografia: O que é pornografia?

Definição do Dicionário da Língua Portuguesa: é tudo o que se relaciona à devassidão sexual; obscenidade; licenciosidade; indecência. Caráter imoral de publicações, por meio de gravuras, pinturas, cenas, gestos, linguagens.

Definição bíblica: Ap. 21:8 nos apresenta uma porção de atos pecaminosos que nos privarão de entrar no Reino de Deus, e um desses pecados é a pornografia. E como podemos afirmar isso? Dentre todos os atos reprováveis ali apresentados, um deles é a fornicação, resultado da pornografia, e esse pecado no original em grego é pornoi – de porneia, que quer dizer: pornografia, prostituição, fornicação, ou seja, está ligado a pecados sexuais.

Os problemas dessa prática são progressivos:
1.      primeiro uma pequena olhada;
2.      nudez feminina ou masculina;
3.       depois sexo hétero;
4.      depois sexo homossexual;
5.      zoofilia, e em alguns casos mais graves;
6.     sexo com demônios. Ex: cantora Kesha, canta músicas como Dancing wih the devil, Die Young, Raising Hell, Supernatural.

Essas práticas levam o homem/jovem a uma vida de depravação, e isso, diz a Palavra de Deus, é como cavar o “mal” (Prov. 16:27). O nosso homem interior é a lâmpada do Senhor, e pode ser luz ou pode ser trevas, a escolha depende de nós (Prov. 20:27; Mt. 6:22-23).
Essa prática é um grande embaraço para o cristão (Hb. 12:1).
Existem diversos depoimentos de pessoas que após viverem diversos anos nessa prática, com o passar do tempo se tornaram pessoas depressivas, perturbadas, enfrentaram problemas com insônia etc.
Esse problema atualmente é mais comum do que imaginamos, isso porque temos mecanismos como smartphones, tablets, computadores, filmes etc.


A cobiça é hermafrodita

Tiago 1:14-15. Somos atraídos pela nossa própria cobiça e seduzidos por ela. A cobiça concebe e dá à luz ao pecado. Por isso entenda a seriedade do problema, se caímos é porque não fomos livres da cobiça.

A prática do pecado se contrapõe à prática da santificação

A santificação é uma decisão que devemos tomar, é progressiva, e é cotidiana. Quando falamos de santificação, é difícil não pensar ou falar a respeito de sexo. E por falar em sexo, descobrimos que essa prática não é pecado, desde que praticada dentro dos padrões pré-estabelecidos por Deus.
A santificação bíblica está intimamente ligada a ideia de separação, dedicação, desta forma, viver uma vida santa é viver separado, separado do pecado com a finalidade de se dedicar a Deus, em oração, meditação na Palavra de Deus.

As cerimônias do Antigo Testamento, tipologicamente nos demonstram que tudo o que era oferecido para Deus deveria ser separado de modo especial para Ele, dando ênfase a santidade de Deus, que recebia adoração do povo. Ex: no Tabernáculo e no Templo haviam vasos santos usados nas cerimônias e que eram separados do uso comum, não podendo ser usados fora desses ambientes ou para outras finalidades.

Desde o início dos tempos, Deus, o Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, tem separado para si mesmo pessoas para usá-las em seu serviço. Desta forma precisamos entender que a dedicação e a separação para Deus são fundamentais para que possamos servir a Deus. Santificação não é algo opcional para àqueles que querem servir a Cristo (Hb. 12:14).

Muitos estudiosos afirmam que a “ideia de separação” é fundamental para se entender o conceito de santidade. Há pelo menos quatro palavras para descrever ou expressar a ideia de santidade: a). a) hieros: (sagrado) referindo-se a coisas sagradas, como é o caso da descrição dos serviços sagrados (I Cor. 9:13); b) hosios: mais intimamente ligado a Deus e a Cristo, refere-se a alguém livre de profanação ou iniquidade (At. 2:27; I Tm. 2:8; Tt. 1:8); c) hagnos: alguém que não é contaminado pela carnalidade, tem ética, respeito, pureza (I Pd. 3:2; I Jo. 3:3); d) hagios: separação na consagração e dedicação ao serviço de Deus, dando a ideia de algo que foi colocado à parte, separado do mundo, para servir a Deus, essa palavra é empregada em conexão com o Espírito Santo cerca de 100 vezes. Ex: Lc. 1:70, “santos profetas”; Ef. 3:5, “santos apóstolos”; II Pd. 1:21, “homens santos”.

Esta última palavra está estreitamente ligada à qualidade necessária para manter uma íntima relação com Deus, servindo-O de modo aceitável (Ef. 1:4; 5:27; Cl. 1:22).

A santificação na vida do cristão se manifesta por meio de três aspectos:

1. A santificação ocorre quando, pela fé, nós aceitamos a Cristo, quando nos convertemos a Cristo (Hb. 10:10);
2. O Espírito de Deus tem papel fundamental em nossa santificação, e recebemos graça para crescermos nela (I Pd. 1:2);
3. Haverá um tempo em que não mais estaremos sujeitos aos tropeços, será o tempo que estaremos para sempre com o Senhor em santificação eterna (I Tss. 4:17b);
·  Os que são de Cristo crucificam a carne (Gl. 5:24);
·  O novo homem busca as coisas lá do alto (Cl. 3:1-2; Rom. 6:4-5).

Quais são as armadilhas escondidas por trás da pornografia?

·         Gera um desejo progressivo, deixando você sempre querendo mais (Prov. 27:20b) ► surgindo o vício;
·         Destrói a integridade, separando o escravo da presença de Deus (Is. 59:2), tornando-o escravo da pornografia (II Pd. 2:19b);
·         Carrega nossa mente com desejos negativos. Ex: depressão, pensamentos negativos, não sou capaz etc;
·         Passamos a enxergar o sexo oposto como meros objetos sexuais;
·         Alimenta a nossa natureza pecaminosa e impede a obra de Deus em nós;
·         Estimula uma vida dupla, uma vez que buscamos manter essa vida em sigilo total (Prov. 28:13);
·         Entristece a Cristo (I Cor. 6:17-18), uma vez que nosso corpo é templo do Espírito Santo (v.19).

Como escapar dessa armadilha?

Precisamos lembrar- nos que cada um de nós, alguma vez na vida enfrentamos tentações na área sexual. A diferença é o que faremos quando formos tentados. Nós temos um exemplo nas Escrituras de uma Pessoa que foi tentada em todas as áreas e jamais cedeu a qualquer dessas tentações. E quem foi essa Pessoa? Jesus Cristo.
Segundo a Palavra de Deus, Ele foi tentado em todas as coisas, como nós somos tentados, mas nunca pecou (Hb. 4:15). E por que nunca pecou?

Por que sempre andou debaixo da direção do Espírito de Deus (Gál. 5:16).

Primeiro passo

1.      Ir para Cristo e sua Palavra, (Jo. 8:31-32);
2.      Fugir da pornografia (I Cor. 6:18);
3.      Não leve ou guarde aquilo que é abominável em sua casa (Deut. 7:26);
4.      Purifique-se pela Palavra de Deus, (Sl. 119:9-11) e guarde-a no coração;
5.      Evite ver, assistir ou compartilhar imagens, vídeos ou filmes com conteúdos pornográficos, (Sl. 101:3);
6.      Entenda que nenhuma tentação é impossível de vencer, (I Cor. 10:13);
7.      Crie uma defesa intransponível fundamentada na Rocha (Mt 7:24-27);
8.      Construa um relacionamento profundo, diário e pessoal com Deus, sólido para que o muro não caia (Mt 26:40-41);
9.      Cuidado com o que você vê! (Jó 31:1);
10.  Reconheça que essa prática é pecado, confesse a Deus e peça perdão (I Jo. 1:8-10);
11.  Procure alguém maduro na fé, confesse e ore com ele para você ser curado (Tg. 5:16).

Grande abraço e que o Senhor possa fortalecer cada um de vocês.

Em Cristo, seu irmão pr Luiz Rafael. 
Contribua: PIX luizrafael.pr@hotmail.com

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quanto valem 365 dias de vida?

Norbert Lieth

Na Holanda se discute quanto a sociedade deveria pagar pelo tratamento médico de um único paciente. Para felicidade nossa, Deus calcula de maneira bem diferente.
Conforme o boletim TOPIC, na Holanda se discute quanto a sociedade estaria disposta a gastar para prolongar uma vida humana por mais um ano. Essa questão surgiu com a polêmica acerca do destino de uma jovem mãe com câncer. Ela precisava de um medicamento extremamente caro, que não garantia sua cura. A questão em debate era se deveria ser estipulado um limite máximo para as despesas médicas que a sociedade estaria disposta a pagar para prolongar uma vida por mais 365 dias. Estabelecer um custo máximo também aliviaria a responsabilidade dos médicos, que precisam tomar sérias decisões quanto aos tratamentos de seus pacientes. Essa polêmica poderia prosseguir, como aconteceu com a eutanásia. Pelo que se percebe, começam a tomar forma as tentativas de transformar a duração da vida humana em uma mercadoria, ou seja, de estipular seu valor em dinheiro para equipará-la a um bem que pode ter preço estipulado e seja vendável. A respeito, cito a interessante declaração de Neil Postmann, conhecido crítico dos excessos da tecnologia:
É inquestionável que cada vez menos pessoas sentem-se comprometidas com os valores e as reivindicações de autoridade da Bíblia ou de outras tradições religiosas. Por isso, suas decisões deixaram de ser éticas para serem somente práticas, decisões que, em seu âmago, levam em consideração os ditames do mercado.
Deus calcula de forma bem diferente!
Em três parábolas, o Senhor nos mostra o grande valor de cada vida humana:

1. A parábola da ovelha perdida

Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles. Então, lhes propôs Jesus esta parábola: Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15.1-7).
Uma única ovelha de um rebanho de cem animais equivale a 1%! Jesus, o Bom Pastor, não se importa de andar muito procurando uma de Suas ovelhas que se perdeu. Ele faz tudo para salvar essa ovelha em particular. Para Ele, a ovelha perdida não é apenas mais um número ou uma porcentagem; é uma vida preciosa que Ele quer levar para o reino dos céus. Ele, que sustenta e mantém todo o Universo, em cujos ombros repousa todo o poder (Is 9.6) não se acha grande demais para ir atrás de uma de Suas ovelhas perdidas, de colocá-la em Seus ombros e de levá-la para casa.

2. A parábola da dracma perdida

Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido. Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.8-10).
Lembro bem do que sempre nos ensinavam quando eu era criança: “Quem não cuida do tostão não merece o milhão”! Na parábola da dracma perdida vemos que o valor do bem perdido equivalia a 10% do total. Jesus veio como luz para o mundo, para buscar o que se havia perdido. Nem um homem sequer lhe é indiferente. Cada um tem valor infinito em relação à vida eterna.

3. A parábola do filho pródigo

Continuou: Certo homem tinha dois filhos; o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres. Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade. Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para seus campos a guardar porcos. Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada. Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores. E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se” (Lc 15.11-24).
Essa parábola fala de 50%. Será que o Todo-Poderoso, que tem tudo à Sua disposição, não poderia prescindir de uma só pessoa? Não! Ele não abre mão de ninguém! Cada um é importante! Ele se interessa particularmente por cada ser humano. Ele quer estar perto de cada um, cuidar de cada um e estender Seus braços a cada um, por mais perdido que esteja.
Deus está disponível para todos. Afinal, Ele entregou Seu Filho 100%, integralmente, pelo mundo inteiro. Cem por cento por cem por cento! Tudo por todos! “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
Vemos que o Senhor sempre dá tudo de si, começando com um por cento até atingir todas as pessoas. E nós? Fazemos contas, calculamos e avaliamos se vale a pena deixar alguém viver mais um ano... (Norbert Lieth — Chamada.com.br)
Norbert Lieth é Diretor da Chamada da Meia-Noite Internacional. Suas mensagens têm como tema central a Palavra Profética. Logo após sua conversão, estudou em nossa Escola Bíblica e ficou no Uruguai até concluí-la. Por alguns anos trabalhou como missionário em nossa Obra na Bolívia e depois iniciou a divulgação da nossa literatura na Venezuela, onde permaneceu até 1985. Nesse ano, voltou à Suíça e é o principal preletor em nossas conferências na Europa. É autor de vários livros publicados em alemão, português e espanhol.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Deus é Eterno, Auto-Existente e Imutável (Parte III)

Deus é Imutável

A palavra imutável vem do Latim immutabilis [in ou im, não + mutabilis, mutável ou alteração]. Outras palavras como inalterável, constante e fiel são também proveitosos para a compreensão desse atributo divino. A imutabilidade de Deus significa que Ele nunca muda em Seus atributos ou conselhos. Deus não cresce, evolui ou desenvolve porque Ele já é perfeito. Ele não pode reduzir, deteriorar, ou regredir porque sendo assim Ele não seria mais Deus. O que Deus é, Ele sempre tem sido, e sempre será. Ele não muda Sua mente, ou sobrepõe um decreto sobre o outro. Ele não faz uma promessa e depois muda Seu voto. Ele não ameaça e depois deixa de cumprir. Isso é especialmente confortante, já que a possibilidade do Deus Todo-Poderoso repentinamente se tornar mal ou de súbito mudar Sua mente é completamente terrível.

A imutabilidade de Deus é um dos mais importantes atributos porque Ele nos garante que Ele e Sua Palavra
serão os mesmos ontem, hoje e para sempre. Ele é o único constante no Universo, o único Ser Digno de absoluta confiança.

Nas Escrituras, um nome tem um grande significado, normalmente revelando algo sobre a pessoa que o carrega. Vemos, nos seguintes versículos alguns nomes dados a Deus e o que eles nos ensinam sobre Sua imutabilidade:
  • EU SOU O QUE SOU (Êxodo 3:14). O nome é derivado do verbo hebraico hayah, que significa Ser ou Existir. Aponta não somente para a eterna natureza de Deus e Auto-Existência, mas também para Sua imutabilidade. Ele não apenas sempre é, mas sempre é o mesmo.
  • A ROCHA (Deuteronômio 32:4). Esse nome precisa de um pequeno esclarecimento. Dentro da criação há poucas coisas mais permanentes ou imutáveis do que as pedra e rochas, e as montanhas que elas formam. É um conforto saber que até mesmo essa metáfora é inadequada. Quando todas as rochas dessa terra virarem pó, Deus permanecerá inalterado.
Tendo considerado os nome de Deus que falam sobre Sua imutabilidade, nós agora nos voltaremos para algumas das mais importantes declarações feitas nas Escrituras. Veremos o que elas nos ensinam acerca da natureza inalterável de Deus e Seu relacionamento com Sua criação e como eles demonstram Sua grandeza:
  • Salmo 102:25-27. Nesta passagem podemos ver o quanto Deus tem poder e que através desse poder e autoridade desde tempos antigos Ele mesmo formou a terra e os céus os quais vemos como obras grandiosas, mas que, porém, mudarão e perecerão em algum momento da história; Deus por sua vez, Criador de tudo, jamais perecerá, Ele permanecerá pelos séculos dos séculos eternos, inalterado. A Palavra de Deus nos ensina acerca d'Ele mesmo que os seus anos são eternos e jamais terão fim.
  • Malaquias 3:6. Novamente vemos a própria Palavra de Deus como testemunha de sua Imutabilidade. Neste trecho podemos saber com clareza que o Senhor não muda, e isso é um fato firme na Palavra a respeito de Deus ser o mesmo constantemente, e para sempre.
  • Hebreus 13:8. Novamente vemos o aspecto da Inalterabilidade de Deus, que não mudando com o passar do tempo é Fiel para cumprir a sua Palavra que não passará.
  • Tiago 1:17. Deus não muda, como também não há n'Ele qualquer possibilidade de mudança. Se Entendemos que Ele é Bom, Fiel e Verdadeiro, então podemos crer que esses atributos jamais deixarão de existir em sua Pessoa, porque Ele é, e sempre será o mesmo.
Tendo considerado os muitos versículos que falam sobre a imutabilidade da natureza de Deus, agora iremos considerar aquelas passagens que falam especificamente sobre a imutabilidade de Sua Palavra e Conselho. Veremos agora o que os seguintes versículos nos ensinam sobre a natureza imutável desses dois e o que eles nos ensinam acerca do relacionamento de Deus com Sua criação – especialmente com o homem:
  • I Samuel 15:29. Deus não mente e não se arrepende. Isso quer dizer que não muda em sua Palavra.
  • Números 23:19. Deus sempre cumpre o que fala.
  • Salmo 33:11. Os Conselhos do Senhor são eternos, e todos os seus propósitos permanecem.
Em I Samuel 15:29, as Escrituras declaram que Deus “não é homem, para que se arrependa”. Por essa passagem e por outras, está claro que a imutabilidade de Deus se estende até mesmo ao Seu conselho e vontade. Ele é perfeito em sabedoria e portanto não erra no que Ele decreta; Ele é Todo-Poderoso e consequentemente é capaz de fazer tudo o que Ele decidiu. Mas como nós reconciliamos esse ensinamento
com outros versículos quem parecem ensinar o contrário?

Em Gênesis 6:6, Deus “se arrependeu de ter feito o homem.” Em Êxodo 32:9-14, o Senhor “se arrependeu” a respeito de destruir a nação desobediente de Israel. Finalmente, em Jonas 3:10, Deus ”se abrandou” concernente à calamidade que Ele tinha declarado que traria à cidade de Nínive. As Escrituras se contradizem?

Deus de fato muda Sua decisão?

A resposta não é tão complexa ou misteriosa como alguns podem pensar. As Escrituras claramente ensinam que as perfeições de Deus, propósitos, e as promessas são sempre as mesmas. Mas isso não significa que
Seu relacionamento e disposição ante Sua “sempre inconstante” criação, não possa variar. Gênesis 6:6 simplesmente se refere à Santa resposta de Deus ao pecado do homem e Sua determinação de apagar o homem da face da terra – v.7 (o mesmo em I Samuel 15:11,26). Em Êxodo 32:9-14, Deus “se arrependeu” em relação à destruição de Israel como uma resposta graciosa à oração de Moisés (uma oração que Deus conduziu e capacitou poderosamente Moisés para fazê-la). Em Jonas 3:4-10, Deus simplesmente “se abrandou” em relação à destruição de Nínive quando Nínive “comoveu-se” com seu pecado. Essas passagens são lembretes para nós que a imutabilidade de Deus não significa imobilidade. Ele não muda, mas Ele não é estático, apático, e não envolvido com Sua criação.

Ele é dinâmico e interage com Sua Criação. Ele sempre é o mesmo, mas Seu relacionamento e comportamento com homens mutáveis irão variar de acordo com a resposta deles a Ele (Jeremias 18:7-10; Ezequiel 18:21-24). Isso não é uma contradição à Sua imutabilidade, mas é a prova dela. Ele sempre irá responder às ações humanas de uma maneira consistente com Seus inalteráveis atributos. Também podemos ver que a essas ações se dá o nome de antropopatismo, ou seja, atribui-se sentimentos humanos a Deus apenas para que se possa entender o que Ele está realizando, é usar uma linguagem humana para que seres humanos possam entender a realização de Deus em um dado momento ou situação. Nessas passagens, portanto, vemos que quem de fato teve que mudar foi o homem, mudar suas atitudes diante de Deus para não ser punido por suas más ações.

É importante entender que a imutabilidade de Deus não somente depende de Sua perfeição, mas também de Seu poder. Deus não seria imutável se existisse algum ser ou poder maior que Ele mesmo que poderia O reprimir ou manipular.

O que os seguintes versículos nos ensinam sobre a soberania e poder de Deus que não existe qualquer ser
ou coisa criada que possa “mudar” Deus:
  • Isaías 14:24. Sua Palavra proferida e seus pensamentos são imutáveis, assim, quando Ele fala, assim acontece.
  • Isaías 16:9-10. Desde os tempos passados ele anuncia o que há de acontecer com perfeição, sendo o Único e Suficiente Deus, com uma Majestade inigualável. Sua sabedoria excede todas as coisas, pois de tudo sabe e pode anunciar tudo com perfeita harmonia. Ele tem um conselho inabalável e faz toda a sua vontade, pois é Soberano.
  • Daniel 4:34-35. Deus vive para sempre e governa sobre todas as coisas para sempre, creiam os homens ou não, seu governo não depende se cremos nele ou não, Ele governa independente da submissão de todos, e seu governo não pode passar. Diante d'Ele somos como nada. O Deus soberano age tanto nos céus como na terra segundo o que lhe apraz sem que possa ser impedido por quem quer que seja. De fato! Somente alguém que não muda e que não tem ninguém acima de si mesmo poderia ser assim e agir assim.
Este Deus do qual estamos falando fez e criou todas as coisas, quer aceitemos isso ou não, Ele o fez e não podemos revogar o seu conselho. Deus tem poder, isso significa que nada é demasiado difícil para Ele. Deus para todos os momentos, todas as situações, Onipresente, o qual d'Ele não podemos nos esconder de modo que não nos veja. Assim como foi no passado, Ele o é agora e para sempre. Ele é Imutável! Bendito seja o seu nome para sempre. Amém!

Fonte: WASHER, Paul David. O Único Deus Verdadeiro: 3ª Ed. Missouri: Granted Ministries Press, 2004. “Copyright © 2004 por Paul David Washer da Sociedade Missionária HeartCry. Publicado por GrantedMinistriesPress, uma divisão de GrantedMinistries. Traduzido por Voltemos ao Evangelho - www.voltemosaoevangelho.com”.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Deus é Eterno, Auto-Existente e Imutável (Parte II)

Deus é Auto-existente

Uma das verdades sobre Deus que mais gera temor e humildade é que Ele é absolutamente livre de qualquer necessidade ou dependência. Sua existência, a plenitude de Sua vontade, e Sua felicidade ou beneplácito não dependem de ninguém ou de nada fora de Dele mesmo. Ele é o único ser que é verdadeiramente auto-existente, autossustentador, autossuficiente, independente, e livre.

Todos os outros seres derivam suas vidas e felicidade de Deus, mas tudo que é necessário para a Existência de Deus e perfeita felicidade é encontrada Nele mesmo. Deus não possui falta ou necessidade, e não é dependente de ninguém. Ensinar ou mesmo sugerir que Deus fez o homem porque Ele estava solitário ou incompleto é absurdo e até mesmo blasfemo. A Criação não é o resultado de alguma falta em Deus, mas o resultado de Sua plenitude ou do transbordar de Sua abundância. Ensinar que Deus de alguma forma precisa da nossa ajuda para fazer as coisas funcionarem corretamente no mundo é igualmente absurdo e blasfemo. Ele não criou porque tinha uma necessidade, mas porque Ele desejou fazer conhecida a superabundância de Suas perfeições, glória e bondade.

Como podemos constatar, nas Escrituras um nome tem grande significado, por isso frequentemente revela algo sobre uma pessoa ou sobre o seu caráter. Em Êxodo vemos que Deus atribui um nome a si mesmo, e esse nome nos comunica muito sobre sua autossuficiência.

"E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós."
(Êxodo 3:14). Isso demonstra que a existência de Deus não foi causada, como a nossa, tão pouco depende de algo ou alguém fora d'Ele mesmo. Vemos aí, a natureza de Deus de existir e portanto podemos afirmar que Ele é, sem esforço. Deus não tem nenhuma necessidade que precisa ser encontrada, nenhum vazio que deve ser preenchido, e nenhum propósito que precisa de ajuda de outros. Em I Coríntios 15:10, o apóstolo Paulo declara aquilo que é verdade para todo homem: "Pela Graça de Deus eu sou o que sou". Somente Deus é capaz de declarar: "Eu Sou o que Sou...pelas virtudes de minhas próprias perfeições e poder."

As seguintes passagens que iremos ler, nos ensinam sobre a auto-existência e autossuficiência Deus e que tais atributos demonstram a sua Grandeza.

"Porque em ti está o manancial da vida; na tua luz veremos a luz." (Salmos 36:9)

"Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo..." (João 5:26)

A vida de Deus ou existência não é derivada de ninguém e de nada fora de Si mesmo. Ele é vida. Faz parte de Sua própria natureza existir. A existência de todas as outras coisas – visíveis e invisíveis, animadas ou
inanimadas, depende Dele. Somente Deus é realmente livre de necessidade ou dependência.

A autossuficiência de Deus é uma declaração de Sua infinita grandeza e Sua posição exaltada acima de Sua criação. Todas as coisas dependem Dele para Sua própria existência e, no entanto Ele não depende de ninguém. Em Atos 17:22-31, nós encontramos o sermão do Apóstolo Paulo para os filósofos Epicureus e estoicos na colina de Marte. Nos versos 24-25, ele refuta a concepção idólatra fazendo três muito importantes declarações sobre o Único Deus Verdadeiro.

O que estas declarações nos ensinam sobre a autossuficiência de Deus e Seu relacionamento com Sua criação?
  • Deus não habita sem santuários feitos por mãos humanas (v. 24).
  • Deus não é servido por mãos humanas (v. 25).
  • Deus não precisa de nada (v.25).
Para concluir nosso estudo sobre a autossuficiência de Deus, iremos considerar o Salmo 50:8-15. O que esses versículos nos ensinam sobre a autossuficiência de Deus e nosso relacionamento com Ele? Deus precisa de algo que venha de nós? O que Deus deseja de Seu povo?

Podemos perceber que Deus é Todo-Poderoso e resplandece em força, Ele governa todas as coisas, nada lhe foge ao controle, é Justo Juiz que julgará no tempo certo. Ele é Deus e todas as coisas pertencem a Ele, não conhece fraquezas e não pode sentir necessidade de coisa alguma. O mundo pertence a Ele, mas mesmo assim, sendo tão Grande, Autossuficiente, tem prazer em livrar os que n'Ele confiam e O invocam. Ele é o Único Deus Verdadeiro.

Fonte: WASHER, Paul David. O Único Deus Verdadeiro: 3ª Ed. Missouri: Granted Ministries Press, 2004. “Copyright © 2004 por Paul David Washer da Sociedade Missionária HeartCry. Publicado por GrantedMinistriesPress, uma divisão de GrantedMinistries. Traduzido por Voltemos ao Evangelho - www.voltemosaoevangelho.com”.

sábado, 31 de agosto de 2013

Deus é Eterno, Auto-Existente e Imutável (Parte I)

Deus É Eterno (Parte I)

Um dos mais incríveis atributos de Deus, e um dos muitos que O distingue de toda a criação, é a Sua eterna existência – Ele não teve início nem terá fim. Nunca houve um tempo em que Ele não tenha existido e nunca haverá outro em que Sua existência cessará. Ele é antes de todas as coisas e permanecerá depois de todas as coisas terem passado. A eternidade de Deus não significa simplesmente que Ele tem e irá existir por um número infinito de anos, mas também que Ele é atemporal e perene, sempre existindo e nunca mudando.

Nenhuma outra pessoa ou coisa criada compartilha esse atributo com Ele. Nós somos por apenas um momento, mas Ele é para sempre. Nós fomos causados por Ele, mas Ele não foi causado por ninguém. Nós dependemos Dele para nossa própria existência, mas Ele não depende de nada. Nossa existência terrena passa como a areia na ampulheta, mas Ele sempre permanece. Ele era Deus, é Deus, e será Deus para sempre.

Nas Escrituras, o nome de alguém tem uma grande importância e frequentemente revela algo sobre a pessoa que o carrega. Os nomes dados a Deus nos seguintes versículos nos revelam muito sobre a sua eternidade:
"Eu Sou o que Sou" (Êx. 3:14). A ideia que é comunicada nessa frase é que a existência é um atributo da própria natureza de Deus. Diferente do homem, Deus não deseja ou faz algum esforço para existir. Ele simplesmente é.

"O Eterno Deus" (Is. 40:28). Isaías nos apresenta Aquele que é eterno irá durar para sempre. Aplicando isso a Deus, a palavra não somente se refere ao futuro, mas ao passado. Não apenas Ele sempre será,
mas Ele sempre tem sido.

"O Ancião de Dias" (Dan. 7:19). Quando usada para se referir ao homem, a palavra ancião normalmente denota idade avançada e fraqueza da mente e do corpo. Quando usada se referindo a Deus, ela denota a grandeza, esplendor, poder, e sabedoria Daquele que era antes da própria fundação do mundo e continuará
quando o mundo houver passado.

"O Alfa e o Ômega" (Apoc. 1:8). A primeira e a última letra do alfabeto grego. É uma maneira criativa de comunicar que Deus é o primeiro e o último (veja Isaías 44:6). Ele é antes de todas as coisas e continuará quando todas as coisas houverem passado.

Levando em consideração todos esses nomes de Deus que falam de Sua eterna natureza, consideremos algumas das mais importantes declarações feitas nas Escrituras que nos ensinam sobre a eterna natureza de Deus e Seu relacionamento com Sua criação. As passagens abaixo apresentadas demonstram essa grandiosa natureza.

"Eis que Deus é grande, e nós não o compreendemos, e o número dos seus anos não se pode esquadrinhar." (Jó 36:26).

"Eis que Deus é grande, e nós não o compreendemos, e o número dos seus anos não se pode esquadrinhar." (Jó 36:26).

"Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite."
(Salmos 90:4).

"Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia." (2 Pedro 3:8).

Compreendamos a partir dessas passagens que Deus é Eterno, sem início ou fim. Existem algumas implicações de Sua eternidade para toda criação, e especialmente para o povo de Deus. Os seguintes versículos nos ensinarão muito sobre isso.

"Mas o Senhor Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno; ao seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação." (Jeremias 10:10).

"O teu reino é um reino eterno; o teu domínio dura em todas as gerações." (Salmos 145:13).

"O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade." (Salmos 45:6).

Vejamos ainda algumas das ações de Deus e a obra que Ele realiza na vida daqueles que n'Ele creem que também são eternas:

A Palavra de Deus é eterna: "Uma voz diz: Clama; e alguém disse: Que hei de clamar? Toda a carne é erva e toda a sua beleza como a flor do campo. Seca-se a erva, e cai a flor, soprando nela o Espírito do Senhor. Na verdade o povo é erva. Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente." (Isaías 40:6-8).

Tanto a sua Salvação como o cuidado pelo Seu povo são eternos: "O Deus eterno é a tua habitação, e por baixo estão os braços eternos; e ele lançará o inimigo de diante de ti, e dirá: Destrói-o." (Deuteronômio 33:27).

"Porque este Deus é o nosso Deus para sempre; ele será nosso guia até à morte." (Salmos 48:14).

"Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti. Confiai no SENHOR perpetuamente; porque o SENHOR DEUS é uma rocha eterna." (Isaías 26:3-4).

"Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." (Mateus 28:20).

Diante dessas verdades explícitas acerca da eternidade de Deus, devemos responder com imensa gratidão em nossos corações, pois seria isso o mínimo que poderíamos fazer diante de tão grande e Eterno Deus!

"Bendito seja o Senhor Deus de Israel, de eternidade a eternidade. E todo o povo disse: Amém! E louvou ao Senhor." (1 Crônicas 16:36).

"Mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração." (Daniel 4:34).

"Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém." (1 Timóteo 1:17).

Ele é Eterno, sua Palavra é eterna, e sua Salvação também são eternas. Por isso entregue sua vida aos seus cuidados, que também são eternos.

Não perca a segunda (Autoexistente) e a terceira (Imutável) parte desse estudo.

Fonte: WASHER, Paul David. O Único Deus Verdadeiro: 3ª Ed. Missouri: Granted Ministries Press, 2004.
“Copyright © 2004 por Paul David Washer da Sociedade Missionária HeartCry. Publicado por GrantedMinistriesPress, uma divisão de GrantedMinistries. Traduzido por Voltemos ao Evangelho - www.voltemosaoevangelho.com”.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

Alguns fatos sobre o Milênio

O que significa o Milênio?

O Milênio é, sem dúvida, o maravilho­so reinado de Cristo na Terra por mil anos. Há aqueles que totalmente o mate­rializam, ou o espiritualizam demais. Evi­temos tais extremos. Esse período áureo é ansiosamente esperado pelo povo israelita. Podemos dizer também que, na verdade, o Milênio não deixa de ser um assunto con­trovertido, como as profecias acerca dos úl­timos dias. Exatamente por isso, o nosso interesse por ele aumenta, ao examiná-lo à luz das Escrituras.

O Milênio é um período de mil anos em que Jesus, juntamente com a sua Igreja glorificada, governará a Terra. Esse gover­no, porém, não será alegórico nem simbóli­co, mas real, concreto, visível: Ap 20:4,6.

Terá início no fim da Grande Tribulação, quando o Anticristo e o falso Profeta tiverem sido vencidos, e Satanás estiver preso; mas depois que Jesus tiver julgado as nações.

Os diferentes nomes aplicados ao Milê­nio, fazem-nos compreender o significado desse período:

1. "Mil anos" (Ap 20:4,6), expressão que define a extensão do tempo.

2. "Regeneração da Terra" (Mt 19:27,28), mostra-nos a origem do novo tempo de bênção para o mundo.

3. "Consolação de Israel" e "Redenção de Israel" (Lc 2:25,38), isso fala daquilo que Israel esperava: a plenitude na manifestação do Messias.

4. "Reino de Cristo e de Deus" (Ef 5:5), revela-nos Cristo como governante: Ele re­ceberá o poder e o reino, de Deus, seu Pai: Is 9:7; Dn 7:13,14; Lc 1:32,33.

5. "Dispensação da plenitude dos tem­pos", Ef 1:10. As Escrituras mostram-nos que o Milênio será o último dos grandes períodos históricos, antes do raiar da eter­nidade.

Afirmamos ainda que o Milênio é um tempo de extrema felicidade: Jesus gover­nará, e o Diabo estará preso. Os homens, nesse tempo, gozarão bênçãos riquíssimas na vida material. Haverá condições favo­ráveis à abolição do álcool, dos entorpecen­tes e do fumo, que causam danos a saúde; isso fará os homens alcançarem idade avançada, o que era comum no início da criação: Is 65:20,23; Zc 8:3,4. As bênçãos de Deus operarão saúde para os povos: Is 35:5,6; Ml 4:2.

No que tange ao desenvolvimento tec­nológico e econômico - neste período será surpreendente. Haverá um tempo de re­construção como nunca houve na terra. Não haverá administradores desonestos no governo de Jesus: Is 58:12; 61:4. As possibilidades de aquisição de casa própria serão ampliadas: Is 65:21,22. O bem-estar so­cial alcançará progressivamente a todos: SI 72:1,7; 1.3,6. Também a tecnologia será posta a serviço do bem comum. Atualmen­te, o objetivo da Ciência é a guerra, o aper­feiçoamento bélico, mas no Milênio ela es­tará a serviço da paz e do bem.

A natureza florescerá no Milênio. Nesse período áureo a vegetação estará liberta da maldição do dia da queda: Gn 3:17,19. Toda criação será liberta da escra­vidão (Rm 8:18,22) e a terra será fértil, de modo que os lugares secos se tornarão em jardins verdejantes: SI 67:6; Jl 2:19,24; 3:18; Am 9:13.

Ademais, a fauna será alcançada pelas bênçãos do Milênio. Por ter sido abolida a maldição original, nenhum animal causará mal ao homem (Is 11:6,7,8; 65:25) e também, nesse tempo, os homens estarão li­vres dos insetos.

Ainda no plano político, haverá durante o Milênio paz e compreensão como nunca antes: o povo judeu, em cuja terra será cen­tralizada a administração universal de Je­sus, terá alcançado a glória perfeita anun­ciada nas profecias. Quando Jesus vier em glória dará ordens aos seus anjos para que ajuntem todos os judeus dos quatro cantos da terra, para trazê-los à Palestina, para que ali se tornem, de fato, numa única na­ção.

A Palestina terá todo o território que Deus prometeu a Abraão: Gn 15:14,18; 32:41,46. Os judeus alcançarão também a paz e o sossego que atualmente lhes é tão difícil conseguir: Ez 28:15; Zc 10:10,11. Vi­verão a plenitude da promessa feita a Abraão: "Em ti serão benditas todas as famílias da terra", Gn 12:1,2. Serão cabeça entre as nações: Dt 28:13. Destarte, haverá completa harmonia entre as nações, Dt 28:13. Haverá também harmonia entre os is­raelitas: Is 11:13. Nenhuma forma de men­tira condicionará as relações internacio­nais: Sf 3:9. Os povos viverão felizes (Is 66:18,19) e a glória habitará na terra: SI 85:9.

Fonte: A Bíblia Responde. 2ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Parte II

                                                     "Fujam da idolatria" (1Co 10.14)

19º Capítulo do livro “Nós desatados”, versão de 1878, escrito por
John Charles Ryle
Clérigo e Bispo da Igreja da Inglaterra


O texto "Idolatria" de J. C. Ryle é um texto bastante profundo e sincero a respeito do tema, o qual, pela extensão e profundidade, estamos apresentando em duas partes para que o leitor possa aproveitá-lo melhor. Em um primeiro momento foram apresentados a introdução ao tema seguido da apresentação dos quatro pontos sobre o mesmo, dos quais, os dois primeiros foram mostrados na postagem anterior, e os dois últimos serão apresentados nesta segunda parte. Esperamos que Deus o abençoe a partir de sua leitura.

Continuação de "Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Parte I"

III. Em terceiro lugar, desejo mostrar as formas que a idolatria tem adotado na Igreja visível. Onde ela está?

Creio que não existe nada mais infundado do que a teoria de que a Igreja de Cristo está a salvo da idolatria. Nem a Escritura nem os fatos apoiam tal teoria. A Igreja contra a qual as portas do inferno não prevalecerão não é a Igreja visível, mas sim todo o corpo dos eleitos, a congregação dos verdadeiros crentes de todo povo e nação. A maior parte da Igreja visível tem sustentado, frequentemente, muitas heresias. Suas ramificações nunca estão a salvo de algum erro fatal, tanto na doutrina quanto na prática. Um abandono da fé, uma queda, o esquecimento do primeiro amor em qualquer parte da Igreja visível não deveria surpreender ao leitor mais atento do Novo Testamento.

Aparentemente parece que os Apóstolos esperavam que a idolatria surgisse mesmo antes do cânon do Novo Testamento ser encerrado. É interessante observar como Paulo trata dessa questão em sua primeira epístola aos Coríntios. Se algum irmão em Corinto fosse idólatra, os membros da igreja não deveriam nem comer com ele (I Co 5:11). "Não sejam idólatras, como alguns deles foram" (I Co 10:7). "Fujam da idolatria" (I Co 10:14). Quando escreve aos colossenses, os adverte contra a "adoração de anjos" (Col. 2:18). E João encerra sua primeira epístola com o solene mandamento: "Filhinhos, guardem-se dos ídolos" (I Jo 5:21).

A bem conhecida profecia do capítulo 4 da primeira epístola de Paulo a Timóteo contém uma passagem deveras interessante: "O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios" (I Tim 4:1). Na verdade o real significado dessa expressão é "doutrinas sobre espíritos mortos". E à luz desse significado, a passagem torna-se uma predição direta do auge da forma de idolatria mais perniciosa: a adoração dos santos mortos.

Farei referência, ainda, ao final do capítulo 9 de Apocalipse. Ali podemos ler, no versículo 20: "O restante da humanidade que não morreu por essas pragas, nem assim se arrependeu das obras das suas mãos; eles não pararam de adorar os demônios e os ídolos de ouro, prata, bronze, pedra e madeira, ídolos que não podem ver, nem ouvir, nem andar". Aventuro-me a afirmar que é bem possível que as pragas do capítulo 9 de Apocalipse cairão sobre a Igreja visível e que é muito improvável que o Apóstolo João estivesse profetizando sobre os pagãos que jamais ouviram o Evangelho. A idolatria, aqui, é um pecado predito a respeito da Igreja visível.

E agora, ao passar da Bíblia para os fatos do nosso dia a dia, o que é que observamos? Respondo sem hesitar que existem provas inequívocas de que as advertências e predições da Bíblia não foram feitas sem causa e que efetivamente a idolatria surgiu na Igreja visível de Cristo, e continua existindo nela.

No século IV, Jerônimo queixou-se dos "erros das imagens, que vieram dos gentios para os cristãos"; e Eusébio disse: "Vemos que apresentam imagens de Pedro e Paulo e mesmo de nosso Senhor Jesus Cristo, costume que vem dos antigos hábitos pagãos e que hoje se conservam com indiferença". No século V, Pôncio Paulino, bispo de Nola, fez que pintassem as paredes dos templos com histórias do Antigo Testamento, para que as pessoas olhassem as imagens e decidissem se abster de excessos e revoltas. Mas pouco a pouco aquilo deu margem à idolatria. Irene, mãe de Constantino VI, reuniu um concílio no século VIII, em Nicéia, promulgando um decreto segundo o qual deveriam pôr imagens em todas as igrejas da Grécia e que tais imagens deveriam ser honradas. O Livro de Homilia da Igreja da Inglaterra declara: "Congregações e clero, eruditos e analfabetos, homens, mulheres e crianças de todas as classes sociais e idades, em toda a cristandade, naufragaram na mais abominável idolatria, o vício mais detestável por Deus e o mais condenável para o homem, e isso durante mais de 800 anos".

Essa é uma história triste, mas exata. Creio que nenhum homem deveria surpreender-se diante do fato de que a idolatria começou na Igreja primitiva, se considerar cuidadosamente a excessiva reverência que a mesma rendia, desde seus começos, aos aspectos exteriores da religião. Creio que nenhum homem imparcial pode ler a linguagem utilizada por quase todos os "Pais" da Igreja com respeito à própria Igreja, aos bispos, ao ministério, ao batismo, à Ceia do Senhor, aos mártires, aos santos mortos; nenhum homem pode ler tais escritos sem dar-se conta da diferença gritante entre sua linguagem e a linguagem da Escritura em relação a essas questões. São atmosferas bem diferentes. Ao ler os escritos dos Pais, percebemos que não estamos mais em terreno santo. Descobrimos que as coisas que na Bíblia são de importância secundária, começam a ser tratadas como essenciais e fundamentais na literatura patrística. Descobrimos que as coisas relacionadas aos sentidos são exaltadas a uma posição que Paulo, Pedro, Tiago e João, falando pelo Espírito Santo, jamais as consideraram. Sim, ao ingressar na literatura patrística, entramos também nos primórdios da idolatria. Detectamos ali as sementes de um gigantesco esquema de idolatria que posteriormente foi formalmente aceito e estabelecido em todos os rincões da cristandade.

Em nossa própria época, não tenho dúvidas de que a idolatria encontra sua manifestação mais notória na Igreja de Roma.

Sim, a idolatria é um dos mais clamorosos pecados dos quais a Igreja de Roma é culpada. Digo isso com pleno reconhecimento de nossas falhas como protestantes, inclusive não pouca idolatria em nossas fileiras. Mas quando falamos de idolatria formal, reconhecida e sistematizada, francamente devemos falar de catolicismo romano.

Idolatria é ter imagens e retratos de "santos" nas igrejas e reverenciá-los sem base nem precedente algum para isso nas Escrituras. Portanto, afirmo que há idolatria na Igreja de Roma.

Idolatria é invocar a virgem Maria e aos santos e dirigir-se a eles utilizando uma linguagem que nas Escrituras é reservada somente para a Santíssima Trindade. Portanto, afirmo que há idolatria na Igreja de Roma.

Idolatria é inclinar-se diante de coisas materiais e atribuir a elas um poder e uma santidade muito superiores aos que eram atribuídos, por exemplo, à arca da aliança ou ao altar de sacrifícios do Antigo Testamento; e um poder e uma santidade completamente alheios à Palavra de Deus. Portanto, afirmo que há idolatria na Igreja de Roma.

Idolatria é adorar aquilo que foi feito pelas mãos dos homens, chamar isso de Deus e adorá-lo quando é erguido diante de nossos olhos. E posto que é assim com a doutrina da transubstanciação e com a elevação da hóstia, afirmo que há idolatria na Igreja de Roma.

Idolatria é fazer de homens ordenados mediadores entre Deus e o povo, roubando do Senhor Jesus Cristo o Seu ofício e rendendo a tais homens uma honra que até mesmo os Apóstolos e os anjos rejeitaram para si,
como podemos ver nas Escrituras. E posto que é assim que acontece com a honra concedida aos papas e sacerdotes, afirmo que há idolatria na Igreja de Roma.

Sei que meu linguajar choca muitas mentes. Os homens gostam de fechar os olhos diante de males que deveriam ser rejeitados. Preferem não ver as coisas que implicam consequências desagradáveis. Homens assim negarão que a Igreja de Roma é idólatra.

Os romanistas nos dizem que a reverência que a Igreja de Roma dá aos santos e às imagens não equivale à idolatria. Eles nos informam que há distinções entre a adoração "latria" e "dulia", entre uma mediação de
redenção e uma mediação de intercessão, e isso os deixa sem culpa. Minha resposta é que a Bíblia desconhece essas distinções e que, na prática efetiva da absoluta maioria dos católicos romanos, tais distinções artificiais não existem em absoluto.

Os romanistas nos dizem, também, que é um erro supor que os católicos romanos realmente adoram imagens e retratos diante dos quais realizam seus cultos, e que somente os utilizam como "ajudas" para a devoção, e que na realidade estão olhando bem mais além. Minha resposta é que muitos pagãos podem dizer o mesmo de sua idolatria. Tal desculpa não é válida. Os termos do segundo mandamento são bem claros: proíbe-se prostrar, além de adorar. E a conduta da Igreja de Roma, com sua preocupação de excluir o segundo mandamento de seus catecismos e ensinos, fala por si mesma como um fato que testifica da consciência culpada pela idolatria dos dirigentes católicos.

Os romanistas nos dizem, ainda, que não temos provas de nossas asseverações a respeito da idolatria; que baseamos nossas conclusões nos "abusos" que cometem os membros mais ignorantes da comunhão católica, e que é absurdo dizer que uma Igreja onde há tantos homens sábios e eruditos seja uma Igreja idólatra. Ora, qualquer um que leia as orações católicas dirigidas a Maria (escritas por ilustres membros do colegiado católico) verá que não cometemos nenhum exagero quando afirmamos que a Igreja de Roma é idólatra. Tais orações e louvores são dirigidos a uma mulher que, apesar de ser grandemente favorecida e de ser a mãe terrena de nosso Senhor, era no entanto tão pecadora quanto qualquer um de nós, uma mulher que confessou sua própria necessidade de um Salvador pessoal: "O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador" (Lc 1:47). Essa linguagem, à luz do Novo Testamento, revela a terrível idolatria da qual a Igreja de Roma é culpada.

Mas, além disso, temos outras evidências fornecidas pela própria Roma. O que os devotos, homens e mulheres, fazem diante do papa? Que religião impera atrás dos muros do Vaticano? Como é o catolicismo em Roma, sem travas nem restrições? Que os homens observem o que acontece naquele lugar, e em suas sucursais espalhadas pelo mundo todo, e não poderão deixar de chegar à conclusão de que o romanismo não passa de um gigantesco sistema de adoração a Maria e aos santos e a imagens e a relíquias e a sacerdotes; em poucas palavras, uma grande idolatria organizada.

Há uma grande diferença entre os dogmas da Igreja de Roma e as opiniões particulares de seus membros. Creio que muitos católicos romanos são incoerentes em seus corações e são até mesmo melhores do que a igreja a qual pertencem, pelo menos assim espero. Lembro aqui dos jansenitas, de Quesnel e de Martin Boss. Creio que há muitos pobres católicos que praticam a idolatria porque não conhecem nada melhor. Não têm uma Bíblia que os instrua. Não contam com um ministro fiel que lhes ensine. Temem ao sacerdote diante deles e não se atrevem a pensar por si mesmos. Em tempos como estes, quando muitos estão dispostos a separar-se da verdadeira Igreja e seguir para a Igreja de Roma, minha consciência me repreenderia caso não advertisse claramente aos homens que o catolicismo romano é idólatra e que quem se une a ele une-se também aos ídolos.

Em nenhum outro lugar a idolatria se manifesta tão visivelmente como na Igreja de Roma.

IV. E agora, em último lugar, desejo falar sobre a abolição definitiva da idolatria. O que acabará com ela?

Considero que a alma do homem que não deseja a extinção da idolatria encontra-se enferma. Não pode estar em comunhão com o Deus verdadeiro o coração que pensa nos bilhões que estão mergulhados no paganismo ou os que honram ao falso profeta Maomé ou aos que oferecem diariamente orações a Maria e aos santos, e não clama: "Oh, meu Deus, quando chegará o fim de todas essas coisas? Até quando, Senhor?".

Aqui, como em outras questões, a palavra da profecia vem em nosso auxílio. Um dia chegará ao fim toda forma de idolatria. Sua condenação é certa. Sua destruição está assinalada. Seja em templos pagãos, seja em supostas igrejas "cristãs", a idolatria será destruída na Segunda Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Então se cumprirá plenamente a profecia de Isaías: "os ídolos desaparecerão por completo" (Is 2:18). Cumprir-se-ão as palavras de Miquéias: "Destruirei as suas imagens esculpidas e as suas colunas sagradas; vocês não se curvarão mais diante da obra de suas mãos" (Mq 5:13). E as palavras de Sofonias: "O SENHOR será terrível contra eles, quando destruir todos os deuses da terra" (Sf 2:11).

E as palavras de Zacarias: "Naquele dia eliminarei da terra de Israel os nomes dos ídolos, e nunca mais serão lembrados" (Zc 13:2). Numa palavra, o Salmo 97 encontrará seu pleno cumprimento: "O SENHOR
reina! Ficam decepcionados todos os que adoram imagens e se vangloriam de ídolos. Prostram-se diante dele todos os deuses!" (Sal. 97:1-7).

A Segunda Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo é essa bendita esperança que deve consolar todos os filhos de Deus. É a estrela polar que deve guiar nossa viagem. É o ponto no qual todas as nossas expectativas devem concentrar-se. "Pois em breve, muito em breve Aquele que vem virá, e não demorará" (Hb. 10:37). O Senhor manifestará Seu grande poder, reinará e fará com que todo joelho se dobre diante d'Ele.

Até então não desfrutamos perfeitamente de nossa redenção, como diz Paulo aos efésios: "vocês foram selados para o dia da redenção" (Ef 4:30). Até Cristo voltar nossa salvação não estará completa, como diz Pedro: "são protegidos pelo poder de Deus até chegar a salvação prestes a ser revelada no último tempo" (I Pe 1:5). Em resumo, o melhor está por vir.

Mas, no dia do regresso de nosso Senhor, todo desejo receberá sua plena satisfação. Já não estaremos mais abatidos e exaustos por esse sentimento de debilidade e decepção. Na presença do Senhor encontraremos plenitude de alegria, e ao despertarmos em Sua semelhança estaremos satisfeitos verdadeiramente (Sal. 16:11; 17:15).

Agora há muitas abominações na Igreja visível ante as quais somente podemos gemer e clamar como faziam os fiéis no tempo de Ezequiel (cf. Ez 9:4). Não podemos eliminar todos os erros. O trigo e o joio crescem juntos até chegar a colheita. Mas está próximo o dia em que o Senhor Jesus purificará uma vez mais o Seu templo e lançará fora toda a imundície. Fará a obra da qual os atos de Ezequias e Josias foram um pálido tipo em suas épocas. Lançará fora as imagens e destruirá a idolatria em todas as suas manifestações.

Quem anela agora pela conversão do mundo pagão? Não a veremos em sua plenitude até a manifestação do Senhor Jesus. Então, e somente então, será cumprida esta palavra: "Naquele dia os homens atirarão aos ratos e aos morcegos os ídolos de prata e os ídolos de ouro, que fizeram para adorar" (Is 2:20).

Quem anseia agora pela redenção de Israel? Não a veremos em sua plenitude até que o Redentor venha a Sião. A idolatria na Igreja professante de Cristo tem sido uma das mais terríveis pedras de tropeço no caminho dos judeus. Quando começar a cair, começará a ser retirado o véu que cobre o coração de Israel (cf. Sl 102:16).

Quem deseja agora a queda do Anticristo e a purificação da Igreja de Roma? Não a veremos até o fim desta era. Esse vasto sistema de idolatria será consumido pela manifestação do Senhor (cf. II Ts 2:8).

Quem quer uma Igreja perfeita, uma Igreja na qual não exista mais a menor mancha de idolatria? Não a veremos até o retorno do Senhor. Então, e somente então, veremos uma Igreja perfeita, uma Igreja sem mancha nem ruga nem coisas semelhantes (cf. Ef 5:27), uma Igreja da qual todos os membros estarão regenerados e todos serão filhos de Deus.

Se é assim, os homens não devem surpreender-se quando os instemos a estudar a profecia e a confiar na doutrina da Segunda Vinda de Cristo. Essa é a "tocha que ilumina na escuridão", à qual faremos bem em prestar atenção. Deixemos que outros se entreguem às fantasias, se assim o desejam, com a ideia imaginária de uma "Igreja do futuro". Deixemos que os filhos deste mundo sonhem com um tipo de "homem vindouro" que compreenda todas as coisas e ponha ordem neste mundo. Somente estão cultivando uma amarga decepção. Reconhecerão que suas visões são infundadas e vazias como um sonho fugaz. A eles podem bem ser aplicadas as palavras do profeta: "Mas agora, todos vocês que acendem fogo e fornecem a si mesmos tochas acesas, vão, andem na luz de seus fogos e das tochas que vocês acenderam. Vejam o que receberão da minha mão: vocês se deitarão atormentados" (Is 50:11).

Atente para a Segunda Vinda de Cristo. Esse é o único Dia em que se corrigirá todo abuso e se castigará toda corrupção e fonte de tristeza. Aguardando esse Dia, trabalhemos e sirvamos a nossa geração; não estando ociosos, como se nada pudesse ser feito para refrear o mal; mas também não num ativismo cego e infrutífero, pois vemos todas as coisas ainda sujeitas ao nosso Senhor. Depois de tudo, a noite está avançada e o Dia vem se aproximando. Eu o exorto a esperar no Senhor.

Posto que as coisas são assim, os homens não devem se surpreender de nossas advertências a respeito da Igreja de Roma. Sem dúvida, quando a ideia de Deus a respeito da idolatria é revelada tão claramente em Sua Palavra, parece o cúmulo do absurdo unir-se a uma instituição tão impregnada de idolatria como a Igreja de Roma. Nem pensar em ter comunhão com ela, quando Deus diz: "Saiam dela, vocês, povo meu,
para que vocês não participem dos seus pecados, para que as pragas que vão cair sobre ela não os atinjam!"
(Ap 18:4). Nem pensar em buscá-la, quando o Senhor nos adverte para que a abandonemos e não nos convertamos em seus súditos. "Fuja pela sua vida, fuja da ira vindoura". Pertencer à Igreja de Roma certamente é cegueira mental, uma cegueira como a daquele que, mesmo avisado, embarca num navio que está naufragando; uma cegueira indesculpável, diante de tudo aquilo que se pode ver na Igreja de Roma.

Todos devemos vigiar. Não devemos aceitar nada a priori. Não devemos supor apressadamente que somos muito sábios para que alguém nos engane. Aqueles que pregam devem clamar em voz alta e jamais calar, não permitir que nenhuma falsa amabilidade os silencie com respeito às heresias destes tempos. Aqueles que ouvem devem cingir-se com o cinto da Verdade e ter suas mentes cheias de ideias claras com relação ao fim de todos os que se prostram diante de ídolos. Veja, o fim de todas as coisas se aproxima e com ele a abolição da idolatria. É hora de aproximar-se de Roma? Não será hora de afastar-se dela? É hora de mitigar e menosprezar a corrupção de Roma e de negar a gravidade de seus pecados? Sem dúvida deveríamos ser muito mais zelosos e impedir qualquer tentativa de romanizar a verdadeira religião, e duplamente cuidadosos a fim de evitar toda conivência com qualquer traição contra Cristo, e sempre dispostos a protestar contra a adoração antibíblica de qualquer tipo. Repito que a destruição da idolatria é certa; portanto, afastemo-nos da Igreja de Roma.

O assunto que estou tratando é de importância profunda e transcendente e exige a séria atenção de todos os protestantes. Tem estado em marcha um exitoso processo de desprotestantização. Sustento que devemos resistir firmemente ao romanismo. Apesar da suposta erudição e devoção de seus defensores, trata-se de um movimento pernicioso, destruidor de almas e contrário às Escrituras. Dizer que a união com Roma seria um insulto para os nossos reformadores martirizados é ser muito suave: seria um pecado e uma ofensa contra Deus! Antes de vê-la unida à Igreja de Roma, preferiria ver minha amada Igreja perecer em pedaços. Melhor morrer do que tornar-se papista!

Sem dúvida, a Unidade abstrata é algo excelente; mas a Unidade sem a Verdade é inútil. A Paz e a Uniformidade são belas e valiosas: mas a Paz sem o Evangelho - a Paz baseada num episcopado comum e não numa fé comum - carece de valor e não merece apelativo. Quando Roma tiver revogado os decretos de Trento e suas adições ao Credo, quando Roma houver se retratado de suas doutrinas falsas e antibíblicas, quando Roma renunciar formalmente à adoração de imagens, à adoração a Maria e à transubstanciação; então, e somente então, será hora de falar em união com ela. Até então há um abismo sobre o qual não se pode construir uma ponte segura. Até então, chamo todos os pastores a resistir até a morte contra a ideia de união com Roma. Nosso lema deve ser: "Não à comunhão com a idolatria de Roma!".

Escrevo tudo isso com tristeza. Mas as circunstâncias fazem com que seja absolutamente necessário que nos pronunciemos. Independentemente de para que lado do horizonte olhemos, vejo motivos para alarme. Não temo em absoluto pela verdadeira Igreja de Cristo. Mas temo pela Igreja da Inglaterra e por todas as igrejas
protestantes da Inglaterra (e do mundo inteiro). A maré de acontecimentos parece ir contra o protestantismo e a favor do romanismo. Parece que Deus tem uma controvérsia conosco como nação e que está a ponto de castigar-nos pelos nossos pecados.

Não sou profeta. Não sei para onde nos dirigimos. Mas é possível que em alguns anos a Igreja da Inglaterra  (e do mundo) una-se à Igreja de Roma. Talvez a coroa real britânica descanse outra vez sobre a cabeça de um papista. Talvez a missa volte a ser rezada em Westminster. O resultado será que todos os cristãos que leem a Bíblia devem abandonar a Igreja da Inglaterra ou então aprovar a adoração de ídolos, transformando-se em idólatras! Deus nos conceda que jamais cheguemos a semelhante estado de coisas!

E agora somente me resta concluir mencionando algumas diretrizes para as almas de meus leitores. Vivemos numa época em que a Igreja de Roma caminha entre nós com forças renovadas e jactando-se de recuperar o terreno perdido. Permitam-me sinalizar como poderemos estar a salvo dela.

1) Precisamos de um profundo conhecimento da Palavra de Deus. Leiamos nossas Bíblias diligentemente. Que a Palavra habite em nós abundantemente. A leitura bíblica deve ser nossa prioridade. A Bíblia é a espada do Espírito; jamais a deixemos de lado. A Bíblia é nossa lâmpada, a verdadeira tocha, não andemos sem a sua luz. A Bíblia é a estrada real. Se a deixarmos por outro caminho - por mais bonito, antigo e frequentado que pareça - não devemos nos surpreender se acabamos adorando imagens e relíquias e indo ao confessionário com regularidade.

2) Precisamos de um zelo piedoso pelo Evangelho. Não deixemos de censurar qualquer tentativa, por menor que seja, de tirar um jota ou um til do Evangelho. Subtrair ensinos da Palavra de Deus é um caminho seguro para a idolatria.

3) Precisamos de ideias claras e sadias sobre o nosso Senhor Jesus Cristo e da salvação que há n'Ele. Ele é "a imagem do Deus invisível" e a verdadeira proteção contra toda idolatria quando O conhecemos verdadeiramente. Edifiquemos nossas vidas sobre o firme fundamento da obra que Ele completou na cruz. Tenhamos bem claro que Jesus já fez tudo o que é necessário para que sejamos salvos e que nossa parte é
simplesmente exercer a fé de uma criança. Não duvidemos que com esta fé já estamos plenamente justificados e que não podemos acrescentar nada aos méritos de Cristo.

Acima de tudo, mantenhamos comunhão contínua com a pessoa do Senhor Jesus! Habitemos n'Ele diariamente, alimentemos-nos d'Ele continuamente, olhemos para Ele e apoiemos-nos n'Ele o tempo todo!
Compreendamos isso, e a ideia de outros mediadores parecerá completamente absurda. "Que necessidade tenho eu de ídolos?", diremos. "Tenho a Cristo e n'Ele tenho tudo. Que tenho a ver com os ídolos? Tenho Jesus em meu coração, Jesus na Bíblia, Jesus no Céu, e não quero nem preciso de nada mais!".

Uma vez que permitimos que o Senhor Jesus ocupe o lugar correto em nossos corações, todas as demais coisas em nossa religião serão ajustadas corretamente. A Igreja, os ministros, os sacramentos ou ordenanças, tudo o mais ocupará um segundo lugar.

A menos que Cristo se assente como Sacerdote e Rei no trono de nossos corações, nosso pequeno reino interior estará em perpétua confusão. Mas se Ele for "tudo em tudo", aí tudo irá bem. Diante d'Ele cairá todo ídolo! Conhecer a Cristo corretamente, crer em Cristo verdadeiramente, amar a Cristo de todo o coração é a verdadeira proteção contra o ritualismo, o catolicismo romano e toda forma de idolatria.

Fonte:Traduzido de "Advertencias a las Iglesias". Moral de Calatrava (Ciudad Real):
Peregrino, 2003, pp. 132-157. Traduzido do espanhol.
Original em Inglês: Idolatry , 19ºcapítulo do livro “Knots Untieds”
Tradução do blog “Calvinismo Hoje”,
por Fábio Vaz dos Santos
http://www.alegrem-se.blogspot.com.br/2012/04/idolatria.html
Divulgação
Projeto Ryle – Anunciando a verdade Evangélica.
http://bisporyle.blogspot.com

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