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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Apostasia, Anjos e Juízo



Renald E. Showers
Quero, pois, lembrar-vos, embora já estejais cientes de tudo uma vez por todas, que o Senhor, tendo libertado um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu, depois, os que não creram; e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia; como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição. Ora, estes, da mesma sorte, quais sonhadores alucinados, não só contaminam a carne, como também rejeitam governo e difamam autoridades superiores. Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda! Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas coisas se corrompem. Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá” (Judas 5-11).
A apostasia não é algo novo. Embora ela possa parecer pior hoje do que em anos anteriores, ela tem estado por aí desde quase sempre; e ela colhe o juízo de Deus.
Apóstata é aquela pessoa que abandona a religião, os princípios, o grupo ou a causa aos quais era associada e cujos ensinamentos professava anteriormente.[1] O livro de Judas dá exemplos de apóstatas dos tempos do Antigo Testamento e do juízo divino que esses apóstatas colheram.

Apóstatas do Antigo Testamento

O primeiro exemplo envolve o povo de Israel, a quem Deus havia trazido do Egito sob a liderança de Moisés (Jd 5). Todos ficaram muito satisfeitos em ser libertados da escravidão e do sofrimento que haviam experimentado durante muitos anos. Mas os incrédulos entre os israelitas ficaram satisfeitos meramente por motivos egoístas, em vez de ser pela honra e glória de Deus. Como conseqüência, Deus, “destruiu, depois, os que não creram” (Jd 5).
O segundo exemplo de Judas envolve um grupo de anjos, a quem Deus criou para um domínio angélico especial, ou esfera de influência (v.6).[2] Aparentemente, esses anjos ficaram satisfeitos com seu poder sobrenatural de influência, mas decidiram usá-lo por motivos egoístas em vez de ser para os propósitos de Deus. O pecado dos anjos consistiu em quatro ações:
1. Abandonar o domínio que lhes havia sido ordenado por Deus, ou sua esfera de influência, a fim de se tornarem parte de um domínio diferente.
2. Abandonar “seu próprio domicílio” (v.6). Esses anjos desertaram da habitação ordenada por Deus para os anjos nos céus,[3] a fim de viverem em outro local.
3. Entregar-se à “prostituição” (v.7). O versículo 7 começa, dizendo: “Como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas”. Alguns intérpretes afirmam que o versículo 7 não tem nenhuma relação com os anjos do versículo 6.[4] Eles insistem que as palavras“como aqueles”, no versículo 7, se referem às cidades de Sodoma e Gomorra e não aos anjos do versículo 6, e que Judas estava dizendo que as cidades ao redor de Sodoma e Gomorra se entregaram à imoralidade sexual de maneira semelhante às de Sodoma e Gomorra.
No entanto, a palavra “cidades” em grego é feminina. Diferentemente, as palavras gregas traduzidas por “como aqueles” no versículo 7, e “anjos” no versículo 6 são ambas masculinas. Assim, “como aqueles” no versículo 7 deve referir-se aos anjos do versículo 6, e não às cidades de Sodoma e Gomorra.[5] Judas estava dizendo que Sodoma e Gomorra e as cidades ao redor destas pecaram como os anjos do versículo 6, cometendo imoralidade sexual.
Todavia, isto não significa que os anjos se entregaram ao mesmo tipo de imoralidade sexual que os homens daquelas cidades perversas. A palavra grega traduzida por “prostituição” no versículo 7 se refere a qualquer tipo de relacionamento sexual proibido por Deus.[6] A imoralidade sexual dos homens de Sodoma e Gomorra, e das cidades da circunvizinhança, envolvia irem atrás de “outra carne”. Ir “após outra carne” significa “ter relações sexuais antinaturais”.[7] Os homens se envolveram em relações sexuais não-naturais uns com os outros, embora Deus tenha criado seres humanos masculinos para serem sexualmente alheios a outros seres humanos masculinos (Lv 18.22; Lv 20.13; Dt 23.17.
4. Ir “após outra carne” (v.7). A imoralidade sexual dos anjos também envolvia ir atrás de “outra carne”. Deus criou anjos como seres espirituais, sem corpos físicos de carne e osso. Assim, os anjos do versículo 6, contrariamente à sua natureza e ao que Deus pretendia, buscaram ter relações sexuais com carne física. O final do versículo 6 indica que Deus puniu esse pecado quádruplo confinando-os a um lugar lúgubre de trevas, onde Ele os mantém até o juízo final deles no fim da história desta Terra: Ele os reservou em “algemas eternas” para o juízo do grande dia.
O apóstolo Pedro tinha em mente esses mesmos anjos quando escreveu:
Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo. E não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas” (2Pe 2.4-5).
Várias coisas devem ser observadas relativamente a estes comentários: Primeiro, Pedro estava se referindo a um grupo de anjos a quem Deus havia confinado e acorrentado em um terrível lugar de trevas no passado.
Segundo, embora a tradução chame esse lugar de “inferno”, Pedro não usou a palavra do Novo Testamento para “inferno” (Hades) nesta passagem. Em vez disso, ele usou a palavra Tártaro. O mundo antigo entendia Hades e Tártaro como duas coisas distintas. Tanto os escritores apocalípticos gregos como judeus consideravam Tártaro como “um lugar subterrâneo, mais baixo que o Hades, onde o castigo divino era executado”.[8] O capítulo 22, versículo 2, do Livro Apócrifo de Enoque apresenta o Tártaro como o lugar de punição para os anjos caídos. Pedro estava indicando que esses espíritos maus estão aprisionados no mais profundo abismo das trevas.
A Segunda Carta de Pedro 2.4 é o único texto no Novo Testamento em que esse lugar de juízo é mencionado com seu próprio nome. Várias outras passagens se referem a ele através de seu termo descritivo, como o “poço do abismo” (literalmente “o abismo”). A palavra “abismo” significa “impenetravelmente profundo”. Escritores apocalípticos judeus o chamavam de “o lugar onde espíritos andarilhos [fugitivos, vagabundos], estão confinados” (Jub. 5:6ss; Eth. En. 10:4ss; 11ss; 18:11ss; Jd. 6; 2 Pe 2.4).[9]
Terceiro, o Tártaro é somente um lugar temporário de juízo para os anjos ali confinados. No final da história desta terra, eles, juntamente com Satanás e os anjos caídos, serão destinados a um outro lugar de juízo: o eterno Lago de Fogo (Mt 25.41; Ap 20.10).
Quarto, Pedro deixou bem claro que esses anjos já estavam no Tártaro por causa de um pecado que cometeram antes que a carta fosse escrita. Esse pecado não foi o pecado angelical original, a saber, a rebelião contra Deus porque, se o fosse, então todos os anjos – inclusive Satanás – estariam ali confinados. Em vez disso, tinha que ser um pecado mais repugnante, cometido por esse grupo de anjos depois da rebelião original dos anjos contra Deus.
Antes e depois do tempo de Cristo na Terra, o entendimento sobre Gênesis 6.1-4 era de que “os filhos de Deus” (Gn 6.1) eram anjos que haviam se casado com “filhas dos homens” humanas, produzindo descendentes gigantes, que se tornaram “varões de renome” antes do Dilúvio. Esses anjos abandonaram sua esfera de influência designada e esvaziaram a residência dos anjos nos céus.
A Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento hebraico, produzida por estudiosos judeus dos séculos II e III antes de Cristo, indica que “os filhos de Deus” de Gênesis 6 eram anjos.[10] O Livro de Enoque (o qual Judas cita nos versículos 14-15) e o Livros dos Jubileus, literatura judaica produzida nos séculos II e III antes de Cristo, apresentavam a mesma visão.[11] O mesmo fez Josefo, o famoso historiador judeu do século I d.C.[12] Esta visão também foi a posição histórica da Igreja primitiva até o século IV d.C.
O juízo de Deus sobre os homens de Sodoma e Gomorra, e das cidades circunvizinhas, serve como exemplo daqueles que sofrerão a punição do fogo eterno (Jd 7).

Apóstatas do Novo Testamento

Começando no versículo 8, Judas aplicou o exemplo dos apóstatas do Antigo Testamento aos apóstatas do versículo 4, que haviam se infiltrado enganosamente para dentro das igrejas. Eram falsos profetas que afirmavam “ter visões e sonhos”,[13] criam que a graça de Deus permitia imoralidade sexual e desprezavam a autoridade do senhorio de Cristo em suas vidas. Além disso, como meros humanos, eles acharam que poderiam repreender os anjos.
Judas contrastou as ações deles com as de Miguel, o arcanjo (um anjo de alta posição), que, quando em disputa com Satanás acerca do corpo de Moisés, disse: “o Senhor te repreenda!” (v.9), em vez de ousar ele mesmo repreender Satanás. Judas usou esse exemplo para aconselhar os apóstatas a terem cuidado em repreenderem os anjos, que são muito mais poderosos que eles.
No versículo 10, Judas acusou esses apóstatas de blasfemarem sobre coisas que eles ignoravam e, como animais irracionais, se corromperem com coisas que entendiam por instinto natural.
No versículo 11, Judas declara: “Ai deles!”, por causa de três coisas que haviam feito:
1. “Porque prosseguiram pelo caminho de Caim”, rejeitando a ordem de Deus e a autoridade de Seu senhorio a fim de fazerem o que queriam.
2. “Movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão”. Assim como Balaão usou gananciosamente seu ministério profético para enriquecer, esses homens enganosamente afirmavam ter visões significativas em sonhos a fim de ficarem ricos.
3. “E pereceram na revolta de Corá”. Assim como Corá pereceu por causa de sua rebelião contra Moisés (Nm 16), esses apóstatas também pereceram por causa da rebelião contra os líderes da Igreja designados por Deus.
Deus certamente é rápido em perdoar e lento para se irar, mas finalmente Ele tratará da apostasia. (Renald E. Showers — Israel My Glory — Chamada.com.br)

Notas:

  1. Webster’s New International Dictionary of the English Language, 2ª.ed., não-simplificada (Springfield, MA: G. & C. Merriam, 1939), 127, s.v. “apostasy”.
  2. William F. Arndt e F. Wilbur Gingrich, eds./trad., “arche”, A Greek English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (1952: tradução e adaptação do Griechisch-Deutsches Wörterbuch zu den Schriften des Neuen Testaments und der übrigen urchristlichen Literatur, de Walter Bauer, 4ª ed.; Chicago: University of Chicago Press, 1957), 112.
  3. Otto Michel, “oiketerion”, Theological Dictionary of the New Testament (citado a seguir como TDNT), ed. Gerhard Friedrich, trad./ed. Geoffrey W. Bromiley, traduzido de Theologisches Wörterbuch zum Neuen Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1967), 5:155.
  4. Walter C. Kaiser, Jr., More Hard Sayings of the Old Testament (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1992), 35.
  5. Edwin A. Blum, Jude in The Expositor’s Bible Commentary (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1981), 12:390.
  6. Arndt e Gingrich, “pornéia”, 699.
  7. Ibid., “apérchomai”, 84.
  8. Ibid., “tártaroo”, 813.
  9. Joachim Jeremias, “abyssos”, TDNT, ed. Gerhard Kittel, trad./ed. Geoffrey W. Bromiley (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1964 ), 1:9.
  10. New Catholic Encyclopedia, 13:435, s.v. “Sons of God”.
  11. R. H. Charles, The Book of Enoch (Oxford: Clarendon Press, 1912), 14-15, 21. The Book of Jubilees (New York: Macmillan, 1917), 57–58, 68.
  12. Flavius Josephus, Antiquities of the Jews, 1.3.1 in The Complete Works of Flavius Josephus, trad. William Whiston (Chicago: Thompson & Thomas, n.d.), 32.
  13. Arndt e Gingrich, “enypniázomai”, 270.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O homem foi feito como Deus ou tornou-se como Deus?

"Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal."
(Gênesis 3:5)

Gênesis 1:27 diz que "criou Deus... o homem à sua imagem". Mas em Gênesis 3:22, Deus diz: "O homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal".

O primeiro versículo dá a entender que o ser humano foi criado como Deus é, e o segundo parece afirmar que ele tornou-se igual a Deus.

Estas duas passagens estão abordando duas coisas diferentes. Gênesis 1 está falando de uma virtude humana por criação, ao passo que Gênesis 3 está se referindo ao que o homem obteve por aquisição.

A primeira passagem refere-se a Adão e Eva antes da queda, e a segunda refere-se a eles depois da queda. A primeira tem que ver com a natureza deles e a segunda, com o seu estado. Pela criação Adão não era conhecedor do bem e do mal. Uma vez tendo pecado, porém, ele conheceu o bem e o mal. Quando essas diferenças são compreendidas, não há conflito algum.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Como poderia este versículo mencionar um rei do Egito chamado "Sô", se não há registro algum de que tal rei tenha existido?

"Porém o rei da Assíria achou em Oseias conspiração; porque enviara mensageiros a Sô, rei do Egito, e não pagava tributos ao rei da Assíria cada ano, como dantes; então o rei da Assíria o encerrou e aprisionou na casa do cárcere."
(2 Reis 17:4)

Quando Salmaneser, rei da Assíria, foi enfrentar Oseias, rei de Israel, ele descobriu uma conspiração iniciada por Oseias porque este "enviara mensageiros a Sô, rei do Egito" (2 Rs 17:4).

Entretanto, além dessa menção na Bíblia, não há registro de um rei do Egito com este nome: "Sô". 

Trata-se de um erro?

O nome que é traduzido por "Sô" pode ser traduzido também por "Sais", que era o nome da cidade (capital) de Tefnakht, rei do Egito no tempo em que Oseias reinava em Israel. Assim, a redação correta desta passagem seria: "[Oseias] enviara mensageiros a Sais, ao rei do Egito". (A TLH apresenta a redação alternativa: "ao rei do Egito, em Sais"). A palavra "Sô" na Bíblia não é o nome do rei do Egito, mas da cidade que era a capital do reino do Egito. Portanto não há erro algum.

Imagem: Bepeli
Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.


terça-feira, 12 de maio de 2015

Eliseu não mentiu às tropas sírias que vinham para capturá-lo?

"Então Eliseu lhes disse: Não é este o caminho, nem é esta a cidade; segui-me, e guiar-vos-ei ao homem que buscais. E os guiou a Samaria."
(2 Reis 6:19)

Quando Eliseu saiu para encontrar-se com os seus inimigos, ele lhes disse: "Não é este o caminho, nem esta a cidade; segui-me, e guiar-vos-ei ao homem que buscais" (2 Rs 6:19). Como poderia ele, sendo um homem de Deus, mentir às tropas sírias? 

Não se trata propriamente de uma mentira. As tropas sírias tinham sido enviadas a Dotã para capturar Eliseu. O Senhor então os cegou, e Eliseu saiu da cidade para encontrar-se com eles. O que o profeta lhes disse foi: "Não é este o caminho, nem esta a cidade". Se Eliseu saiu da cidade, Dotã não seria mais o caminho que os soldados teriam de seguir para capturá-lo, e aquela não seria mais a cidade para onde deveriam ir.

O profeta também os instruiu: "segui-me, e guiar-vos-ei ao homem que buscais". Também isto era verdade. Eliseu os conduziu a Samaria e, quando chegaram, o Senhor abriu-lhes os olhos e eles viram Eliseu e que estavam em Samaria.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Por que Elias foi abençoado por ridicularizar os profetas de Baal, se a Bíblia nos compele a usar palavras amáveis para com os nossos inimigos?

"E sucedeu que ao meio-dia Elias zombava deles e dizia: Clamai em altas vozes, porque ele é um deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; talvez esteja dormindo, e despertará."
(1 Reis 18:27)

A Bíblia aqui diz que "Elias zombava deles", dizendo que possivelmente o deus deles estivesse "meditando, ou atendendo a necessidades, ou de viagem, ou a dormir...". Entretanto, as Escrituras nos ensinam também que amemos os nossos inimigos (Mt 5:44), que devemos abençoar e não amaldiçoar (Rm 12:14), e que a nossa "palavra seja sempre agradável" (Cl 4:6).

A conduta de Elias dificilmente se concilia com essas verdades.

Primeiro, é necessário destacar que o texto não aprova especificamente cada palavra que Elias proferiu. Apenas diz que Deus respondeu suas orações, de forma a sustentar a sua posição, enviando fogo para consumir o sacrifício e depois acabar com os profetas de Baal (v.38). Além disso, pode-se argumentar que Elias não violou nenhuma dessas exortações das Escrituras. Em parte alguma é dito na Bíblia que Elias odiou os profetas de Baal, ou que os tenha amaldiçoado.

Quanto à alegada zombaria que ele fez, isso foi sem dúvida algo sarcástico, mas não fora dos limites de um uso forçado, porém legítimo, de ironia. A mesma passagem que nos exorta a sempre falarmos uma palavra "agradável", acrescenta também que ela pode ser "temperada com sal". Esse talvez tenha sido um exemplo de uma observação bem salgada.

De qualquer modo, não há indicação de que Elias tenha agido com malícia. Por fim, o seu ato foi benevolente no sentido de que salvou a vida daqueles que foram testemunhas dessa maravilhosa intervenção de Deus.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.
Fonte da imagem: Jamais Desista

segunda-feira, 30 de março de 2015

Como Bete-Semes poderia ter uma população superior a 50.000 homens?

"E o Senhor feriu os homens de Bete-Semes, porquanto olharam para dentro da arca do Senhor; feriu do povo cinqüenta mil e setenta homens; então o povo se entristeceu, porquanto o Senhor fizera tão grande estrago entre o povo."

Depois que o povo da cidade de Bete-Semes recebeu a arca da aliança, alguns cidadãos desprezaram o fato de que a arca era sagrada e olharam o seu interior. O texto diz: "E o Senhor feriu os homens de Bete-Semes, porquanto olharam para dentro da arca do Senhor; feriu do povo cinqüenta mil e setenta homens" (SBTB).

Entretanto, uma população de mais de 50.000 pessoas parece ser muito grande para uma comunidade como aquela. Como explicar um número tão grande de habitantes para a época?

Em primeiro lugar, este é muito provavelmente o caso de erro de transcrição feito por um escriba. A numeração na língua hebraica normalmente segue um certo padrão, pelo qual o número maior é escrito em primeiro lugar, vindo em seguida o menor. A forma usual de escrever tal número em hebraico seria "cinqüenta mil homens e setenta homens".

Entretanto, neste caso, os números aparecem de forma invertida. Na realidade o texto diz: "setenta homens cinqüenta mil homens". Além disso, as designações numéricas quase sempre são ligadas pela conjunção "e", de forma que a redação normal seria: "cinqüenta mil homens e setenta homens". Também neste ponto a passagem foge da maneira usual por omitir o "e". Tais razões têm levado muitos a suspeitarem de que o texto foi inadvertidamente alterado por erro de cópia.

Em segundo lugar, é também admissível que se tenha ficado apenas com explicações para o tamanho do grupo de pessoas e que simplesmente se tenha deixado de fazer uma investigação mais acurada até o presente. Pode ser que alguma escavação arqueológica venha a dar evidências que expliquem por que havia de fato uma população tão grande lá, ou pelo menos envolvida com o juízo de Bete-Semes. Embora uma população superior a 50.000 pessoas possa parecer elevada para uma comunidade como a de Bete-Semes, tal população não é de todo incomum no mundo antigo para cidades maiores. Este grande número pode ainda vir a ser justificado de alguma maneira pela arqueologia.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

sexta-feira, 13 de março de 2015

A arqueologia não mostrou que este relato da conquista de Jerico é incorreto?

"Ora Jericó estava rigorosamente fechada por causa dos filhos de Israel; ninguém saía nem entrava."
(Josué 6:1)

Josué 6 narra a conquista e a destruição da cidade de Jericó. Se esta narrativa é correta, então as escavações arqueológicas deveriam ter revelado alguma evidência daquele monumental acontecimento. Entretanto, tais investigações não demonstraram que o relato de Josué é incorreto?

Por muitos anos a posição prevalecente entre os críticos eruditos foi que não houve uma cidade de Jericó no tempo em que se admite que Josué entrou em Canaã. Embora investigações mais recentes feitas pela notável arqueóloga britânica Kathleen Kenyon tenham confirmado a existência da antiga cidade de Jericó e sua repentina destruição, suas descobertas levaram-na a concluir que a cidade não poderia ter existido posteriormente ao ano de 1550 a.C. Tal data é muito anterior ao tempo em que Josué e os filhos de Israel poderiam tomar parte na destruição da cidade.

Entretanto, um recente reexame dessas descobertas e um estudo mais cuidadoso das evidências atuais indicam que não somente houve uma cidade que se enquadra perfeitamente na cronologia bíblica, mas também que suas ruínas coincidem com o relato bíblico da destruição daquela fortaleza murada. 

Num trabalho publicado na Biblical Archaeology Review ( Revisão Arqueológica Bíblica ), em março/abril de 1990, Bryant G. Wood, professor visitante do Departamento de Estudos do Oriente Próximo da Universidade de Toronto, apresentou provas de que o relato bíblico é correto. Sua investigação detalhada levou às seguintes conclusões:

1. A cidade que existia naquele lugar era muito fortificada, correspondendo ao relato bíblico de Josué 2:5, 7,15; 6:5, 20.

2. As ruínas dão evidência de que a cidade foi atacada na primavera, depois do tempo da colheita, o
que está de acordo com Josué 2:6; 3:15; 5:10.

3. Os habitantes não tiveram a oportunidade de fugir do exército invasor com os gêneros alimentícios que tinham armazenados, como registrado em Josué 6:1.

4. O cerco à cidade teve curta duração, não permitindo que os habitantes consumissem os alimentos  que estavam armazenados na cidade, como dá a entender Josué 6:15.

5. Os muros estavam nivelados de maneira a propiciar o acesso à cidade pelos invasores, da forma  como descreve Josué 6:20.

6. A cidade não foi saqueada pelos invasores, de acordo com as instruções dadas por Deus a Josué
(6:17-18).

7. A cidade foi queimada depois da destruição das muralhas, tal como diz Josué 6:24.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Como pode ser moralmente correto os israelitas destruírem por completo os midianitas?

Ref. Números 31

De acordo com o registro dos acontecimentos em Números 31, Moisés comandou os israelitas para que destruíssem totalmente os midianitas. O versículo 8 declara que eles mataram todo midianita homem. O versículo 9 registra que eles levaram presas as mulheres e as crianças, e o versículo 10 afirma que os israelitas queimaram todas as cidades e acampamentos dos midianitas.

Ainda, no versículo 17, Moisés ordenou ao povo que matasse todo menino midianita e toda mulher 
midianita que tivesse coabitado com algum homem, deixando com vida apenas as meninas e as moças virgens.
Como tal destruição pode ser moralmente justificada?

Em primeiro lugar, lembremo-nos de que os midianitas foram os que corromperam o povo de Deus, levando-o à idolatria em Baal-Peor, o que resultou na morte de 24.000 israelitas com a praga que se seguiu (Nm 25:9). Era necessário eliminar totalmente essa má influência sobre Israel.

Além disso, não foi sob a autoridade de Moisés que Israel executou tal destruição. Antes, foi sob o comando direto de Deus. O versículo 2 registra a ordem dada por Deus a Moisés para que ele levasse a cabo a vingança do Senhor sobre os midianitas. A natureza abominável da influência que os midianitas tinham sobre Israel em levá-los à idolatria merecia o juízo destruidor de Deus, que tratou decididamente e com severidade esse câncer.

A justificativa moral para tal ação encontra-se no fato de que Deus tem o direito de dar e de tomar a vida. Como o salário do pecado é a morte, e como os midianitas envolveram-se num terrível pecado, eles apenas colheram as conseqüências da vingança de Deus sobre eles.

Outro detalhe muito importante que devemos nos ater é que naquela época o povo de Israel lutava diretamente contra seres humanos e não contra os seres espirituais da maldade como hoje (Ef. 6:12), e são contra esses que lutamos para lhes opor às obras más. Mas naquela época não era assim, e vale lembrar que somente contra as sete nações de Canaã é que havia a autorização de Deus para destruir, isso porque tais povos praticavam tanta abominação que ofendiam ao Senhor, pois seus atos eram bárbaros.

E foi por causa de tanta transgressão que a terra na qual vivam vomitou os seus moradores (Lev. 18:25). As abominações desses povos era tão grande que estavam envolvidos em todo tipo de perversidades (Lev. 18) tais como:
  1. incestos (Lev. 18:6-9);
  2. pedofilias (Lev. 18:10);
  3. sexo entre sobrinho e tia (Lev. 18:14);
  4. sexo entre o sogro e a nora (Lev. 18:15);
  5. sexo entre os cunhados (Lev. 18:16)
  6. sexo de um homem com uma mulher e sua mãe (Lev. 18:17)
  7. adultério (Lev. 18:20);
  8. o sacrifício de crianças (Lev. 18:21);
  9. sodomia (Lev 18:22);
  10. zoofilia (Lev 18:23);
Essas eram apenas algumas das maldades que esses povos praticavam, e Deus não queria o seu povo envolvido com esses males os quais contaminavam o povo para a maldade (v.24a). O Senhor deixa bem claro que essas coisas eram praticadas pelos povos (v.24b) os quais Ele havia mandado exterminar.

A terra se tornou um lugar contaminado por causa da maldade de seus habitantes (v.25a), e por esse motivo esses povos perversos estavam sendo expulsos (vomitados, v.25b) de sua habitação. Deus não estava sendo impiedoso com esses povos, pelo contrário, Ele foi em extremo bondoso com eles, algo que fica evidente em Gênesis 15 onde vemos Deus dando cerca de 400 anos para que os povos daquela região se arrependesse de seus pecados, o que não fizeram. O Senhor em sua imensa misericórdia esperou muito. 

Por fim, não podemos nos esquecer que o poder da vida e da morte está nas mãos do Senhor (Deut. 32:39) e Ele pode dar cabo da vida de quem quer que seja, caso seja mal e negligente. A exterminação total era para evitar futuras influências pagãs que poderiam fazer o povo se desviar da verdadeira adoração. Semelhante coisa um médico faz quando alguém está acometido de um câncer mortal o qual obriga o médico a extirpar radicalmente uma parte do corpo de um paciente para evitar a sua morte, salvando, assim, a sua vida.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Já que Deus prometeu sempre haver sementeira e ceifa, então por que houve tempos de fome?

"Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão."
(Gênesis 8:22)

Deus prometeu a Noé: "Enquanto durar a terra não deixará de haver sementeira e ceifa". Entretanto, há muitos tempos de fome, inclusive registrados na Bíblia, em que não houve ceifa (cf. Gn 26:1; 41:54).

O verbo "cessar" (do hebraico shabath) significa chegar a um fim, ser eliminado, acabar com uma coisa completamente. Esta passagem promete apenas que as estações não cessarão, não as colheitas. A referência é ao tempo da semeadura e ao tempo da colheita, não necessariamente a estes eventos. E as estações jamais foram interrompidas; elas têm o seu curso normal, desde que essa promessa foi feita a Noé. Ainda, a promessa de Deus não constitui uma garantia de que não haveria jamais interrupções temporárias. É apenas uma afirmativa de que haveria permanentemente os ciclos das estações do ano, até o final dos tempos.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Como Adão e Eva poderiam sair da presença de Deus, sendo Deus onipresente?

"E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim."
(Gênesis 3:8)

A Bíblia diz que Deus está em todo lugar ao mesmo tempo, isto é, que ele é onipresente (Sl 139:7-10; Jr 23:23). Mas, já que Deus está em toda parte, então como Adão e Eva puderam esconder-se "da presença do Senhor Deus"?

Este versículo não está abordando a onipresença de Deus, mas está falando de uma visível manifestação dele (cf. v. 24). Deus está em toda parte em sua onipresença, mas ele se manifesta de tempos em tempos, em certos lugares e por certos meios, tais como uma sarça ardente (Êx 3), uma coluna de fogo (Êx 13:21), fumaça no templo (Is 6) e assim por diante. É nesse sentido restrito que alguém pode sair "da presença do Senhor Deus", ou seja, trocando em miúdos, quando o texto fala que Adão e sua mulher saíram da presença do Senhor, o texto se refere à comunhão que Adão e Eva tinham com Deus, a qual perderam após a queda.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Como podemos explicar a diferença que há na seqüência dos atos da criação, em Gênesis 1 e 2?

"Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome."

Gênesis 1 declara que os animais foram criados antes do homem, mas Gênesis 2:19 parece reverter a ordem, ao dizer: "Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais 
do campo..., trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria". Isso pode dar a entender que 
Adão tinha sido criado antes dos animais.

Gênesis 1 dá a sequência dos eventos; Gênesis 2 fornece mais informações a respeito deles. O capítulo 2 não contradiz o capítulo 1, porque não afirma exatamente quando foi que Deus criou os animais. Simplesmente diz que ele trouxe os animais (que anteriormente criara) a Adão para que este lhes desse nome. O ponto principal no capítulo 2 é a ação de dar nome aos animais, não a de criá-los. Gênesis 1 delineia, de forma geral, os eventos, e o capítulo 2 nos fornece detalhes. Tomados juntos, os dois capítulos formam um quadro harmonioso e mais completo dos atos da criação. As diferenças, então, podem ser resumidas da seguinte maneira:

GÊNESIS 1                                                                                          GÊNESIS 2

Ordem cronológica                                                                               Criação dos animais
Visão Geral                                                                                           Detalhes
Ordem de tópicos                                                                                  Nomeação dos animais

GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

Por que Adão não morreu no dia em que comeu do fruto proibido, como Deus dissera que aconteceria?

"Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás."

Deus disse a Adão, com respeito à árvore proibida: "no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn 2:17). Mas depois que pecou, Adão viveu até a idade de 930 anos (Gn 5:5).

A palavra "dia" (yom) nem sempre significa um dia de 24 horas. "Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem" (SL 90:4; cf. 2 Pe 3:8). Assim realmente, Adão morreu dentro de um "dia", neste sentido. Ainda, Adão começou a morrer fisicamente no exato momento em que pecou (Rm 5:12), e ele morreu também espiritualmente naquele preciso instante em que pecou (Ef 2:1). Portanto Adão morreu de diversas formas, cumprindo assim o pronunciamento de Deus (em Gn 2:17).

GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os anjos caídos estão amarrados ou acham-se livres para tentar os homens?

"Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo; E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé..."

Pedro afirma nessa passagem que Deus, havendo lançado os anjos caídos "no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo" (SBTB; cf. Jd 6).

Entretanto, é evidente pelo NT que os demônios vagueiam em liberdade por toda a terra, oprimindo e até mesmo manifestando-se em pessoas (cf. Mt 12:22; 17:14-17; At 16:16-18; Ap 16:14).

Há duas explicações básicas para essa aparente contradição.

Primeiro, é possível que Pedro esteja falando do destino oficial e derradeiro dos anjos caídos (dos demônios), não de sua situação real e atual. Isto é, embora eles já estejam sentenciados por Deus a uma condenação eterna, ainda não começaram realmente a cumprir a sua pena. Não obstante, eles sabem que o seu dia está chegando (Mt 8:29; Ap 12:12).


Segundo, essas passagens podem estar falando de duas classes diferentes de anjos caídos, alguns já em cadeias (2 Pe 2:4) e os demais ainda livres. Alguns creem que Pedro esteja se referindo aos "filhos de Deus" (outra classe de anjos) são os b'nei-há'elohim [heb.], que quer dizer filhos de Deus ou filhos dos anjos, segundo o Comentário Bíblico Judaico do Novo Testamento, obra do judeu messiânico David Stern, esses seres são mencionados em Gênesis 6. Stern (pag. 828) explica que caíram do céu porque tinham deixado a sua autoridade original, e teriam tido relações com mulheres um pouco antes do dilúvio (Gên. 6:2-4), uma vez que logo no versículo seguinte há uma referência a Noé (v. 5). Depois desse ato (manter relações com as filhas dos homens) se tornaram "espíritos em prisão" (I Ped. 3:19) 'a quem Deus colocou em calabouços sombrios mais baixos que o Sheol para serem reservados até o juízo, em trevas, presos em correntes eternas para o Juízo do Grande Dia' (Jud. 6).¹


Ainda segundo o mesmo autor, tanto Pedro como Judas não estão usando sua imaginação, mas estão fundamentados em elaborações de Gênesis, as quais podem ser encontradas nos antigos escritos judaicos, tais como I Enoque²:
"(...) os sentinelas chamaram-me e disseram, 'Enoque, escriba da justiça, vá e aos sentinelas do céu que deixaram o alto céu, o lugar eternamente santo, e corromperam-se com mulheres, e tem feito como os filhos dos homens fazem, e tomaram para si mesmos esposas: 'Vocês tem causado grande corrupção na terra. Vocês não terão paz nem perdão do pecado (...).' Enoque foi e disse (ao líder dos sentinelas rebeldes): 'Aza'zel, você não terá paz. Um juízo severo tem vindo contra você: eles o colocarão em prisão.'
O Senhor disse a Rafa'el, 'prenda as mãos e pés de Aza'zel, e lance-o nas trevas: faça um poço no deserto em duda'el, atire-o nele, lance pedras sobre ele, cubra-o de trevas, deixe-o habitar ali para sempre, cubra seu rosto para que ele não seja capaz de ver a luz. No Dia do Grande Juízo, ele será lançado no fogo. (I Enoque 12:4-13:1; 10:4-6)."
Nesse caso, isso pode explicar por que esses anjos em particular estão já em cadeias (para não repetirem o que fizeram), em situação oposta à dos outros demônios que estão em liberdade.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.
¹STERN, David H. Comentário Judaico do Novo Testamento: Ed. Belo Horizonte: Editora Atos, 2008. (pag. 828)
²STERN, David H. Comentário Judaico do Novo Testamento: Ed. Belo Horizonte: Editora Atos, 2008. ('ipsis literis' pag. 828)

sábado, 6 de dezembro de 2014

Quem foi o Faraó de Êxodo?

"Mas Faraó disse: Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir Israel."
(Êxodo 5:2)


A posição predominante dos eruditos nos dias de hoje é que o Faraó de Êxodo era Ramsés II. Se assim for, isso significa que o êxodo ocorreu aproximadamente entre 1270 e 1260 a.C. Entretanto, de várias referências da Bíblia (Jz 11:26; 1 Rs 6:1; At 13:19-20), a data do êxodo é inferida como sendo 1447 a.C. Assim, de acordo com o sistema de datas normalmente aceito, o Faraó de Êxodo seria Amenotep II.

Quem foi de fato o Faraó mencionado no livro de Êxodo, e quando foi que o êxodo ocorreu?

Conquanto muitos eruditos da atualidade tenham proposto uma data posterior para o evento do êxodo, de 1270 a 1260 a.C, há evidências suficientes para se dizer que não é necessário aceitar essa data. Uma explicação alternativa nos fornece um melhor relato de todos os dados históricos, e coloca o êxodo por volta de 1447 a.C. 

Primeiro, as datas bíblicas para o êxodo o colocam nos anos em torno de 1400 a.C, já que 1 Reis 6:1 declara que ele ocorreu 480 anos antes do quarto ano do reinado de Salomão (o que foi por volta de 967 a.C). Isso colocaria o êxodo por volta de 1447 a.C, de acordo com Juízes 11:26, que afirma que Israel passou 300 anos na terra, até o tempo de Jefté (o que foi cerca de 1000 a.C). De igual modo, Atos 13:20 diz ter havido 450 anos de juízes, de Moisés a Samuel, sendo que este último viveu por volta de 1000 a.C. O mesmo ocorre com respeito aos 430 anos mencionados em Gálatas 3:17, abrangendo o período de 1800 a 1450 a.C. (de Jacó a Moisés).

O mesmo número é usado em Êxodo 12:40. Todas essas passagens indicam uma data em torno de 1400 a.C, não em torno de 1200 a.C, como os críticos afirmam.

Segundo, John Bimson e David Livingston propuseram uma revisão da data tradicionalmente atribuída ao fim da Idade do Bronze Média e início da Idade do Bronze Avançada, de 1550 para um pouco antes de 1400 a.C. A Idade do Bronze Média caracterizava-se por cidades grandemente fortificadas, cuja descrição se enquadra muito bem com o relato que os espias trouxeram a Moisés (Dt 1:28). Isso significa que a conquista de Canaã se deu por volta de 1400 a.C. Como as Escrituras afirmam que Israel vagueou pelo deserto por cerca de 40 anos, isso dataria o êxodo por volta de 1440 a.C, totalmente de acordo com a cronologia bíblica.

Se aceitarmos os registros tradicionais dos reinos dos Faraós, isso significaria que o Faraó do livro de Êxodo foi Amenotep II, que reinou de cerca de 1450 a 1425 a.C.

Terceiro, outra possível solução, conhecida como a revisão de Velikovsky-Courville, propõe uma revisão na cronologia tradicional dos reinados dos Faraós. Velikovsky e Courville afirmam que há 600 anos a mais na cronologia dos reis do Egito. Evidências arqueológicas podem ser juntadas para substanciar esta proposta que de novo data o êxodo em 1440 a.C. De acordo com este ponto de vista, o Faraó nesse tempo era o rei Tom. Isto se harmoniza com a afirmação de Êxodo 1:11, de que os israelitas foram escravizados para construírem a cidade chamada Pitom (residência de Tom). Quando a cronologia bíblica é tomada como padrão, todas as evidências arqueológicas e históricas se encaixam direitinho.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. "Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e 'Contradições' da Bíblia". 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

sábado, 15 de novembro de 2014

Com quem Deus se encontrou na estalagem, e por que quis matar essa pessoa?

"E aconteceu no caminho, numa estalagem, que o Senhor o encontrou, e o quis matar."
(Êxodo 4:24)

Êxodo 4:24 afirma: "Estando Moisés no caminho, numa estalagem, encontrou-o o Senhor, e o quis matar". Este versículo deixa claro que Moisés é quem estava ali, naquela estalagem. Mas por que Deus quis matá-lo, já que ele o havia chamado para liderar a saída do povo do Egito?

Primeiro, é claro que Moisés tinha sido escolhido pelo Senhor a fim de ser o instrumento para libertar o povo de Israel da escravidão egípcia e do poder de Faraó. Mas, por fazer parte do povo da aliança de Deus, Moisés era obrigado a circuncidar seus filhos no oitavo dia.

Por uma razão ou outra, Moisés não tinha realizado o rito da circuncisão no seu filho, que também fazia parte do povo da aliança do Senhor. Não era possível Deus permitir que o libertador por ele escolhido a fim de representá-lo para o povo de Israel não cumprisse os termos da aliança.

Aparentemente, Deus tomou essa drástica medida para fazer com que Moisés lhe obedecesse, sabendo que Moisés por si não se dispunha a ir contra os desejos de sua mulher Zípora. Ela fez então a circuncisão, talvez porque Moisés estivesse impossibilitado, devido a uma enfermidade que o Senhor tinha trazido sobre ele. Assim que a circuncisão foi feita, o Senhor não mais procurou matar Moisés.

Segundo, é óbvio que o Senhor poderia ter matado Moisés de repente, se esse fosse o seu intento nesse caso. Deus certamente possuía o poder para fazer isso de imediato. O que aconteceu indica claramente que o propósito de Deus era fazer com que Moisés cumprisse os seus deveres. Deus obviamente não queria matá-lo. O que pretendia era que Moisés obedecesse a sua lei e tivesse total compromisso com ela, já que ele era aquele que estava para se tornar o grande instrumento de Deus, por meio de quem o Senhor iria dar a sua lei.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Como um Deus todo-amoroso pôde ordenar que os hebreus despojassem os egípcios de suas riquezas?

"Porque cada mulher pedirá à sua vizinha e à sua hóspeda jóias de prata, e jóias de ouro, e vestes, as quais poreis sobre vossos filhos e sobre vossas filhas; e despojareis os egípcios."
(Êxodo 3:22)

Êxodo 3:22 afirma: "e despojareis os egípcios". A Bíblia nos apresenta Deus como sendo todo-amoroso. Entretanto, não parece ser um ato de amor esse o de mandar os hebreus despojarem os egípcios.

Primeiro, afirmar que Deus ordenou que eles despojassem os egípcios é não perceber bem o que o texto diz. Na verdade, Deus ordenou que os hebreus "pedissem" aos egípcios diversos bens de valor, e ele lhes daria favor aos olhos dos egípcios. Assim, pedindo aos egípcios, eles não os estavam despojando. Despojar ou saquear, nessa situação, significaria tomar as possessões deles por meio da força. Mas por terem os hebreus pedido, e os egípcios dado voluntariamente, sem serem forçados, o efeito seria o mesmo que se estes tivessem sido despojados.

Segundo, o termo usado nesta passagem não é a palavra usual para "despojar", mas indica a entrega de alguma coisa ou de alguém. Esse termo foi usado aqui em sentido figurado. Foi Deus que venceu os egípcios, e agora o seu povo é que despojaria o inimigo derrotado. Entretanto, esse inimigo derrotado se dispôs a entregar o despojo da vitória ao povo hebreu, que se libertava.

Terceiro, mesmo que fosse tomado de forma literal, os presentes dados aos israelitas não poderiam ser considerados como algo injusto, se for levado em conta que o povo de Israel permanecera como escravo por vários séculos. Assim como em nossos dias se indeniza um ex-funcionário após muitos anos de serviço, o povo de Israel recebeu uma pequena compensação ou indenização pelo tempo de trabalho escravo no Egito.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Por que Caim não sofreu a pena capital (de morte) pelo assassinato que cometeu?

www.oucaapalavradosenhor.comOlá, caros leitores!

A cada leitura da preciosa Palavra de Deus, nos deparamos com passagens de difícil entendimento e, para que possamos lançar um pouco mais de luz sobre passagens de difícil entendimento é que procuramos tentar ajudar pessoas como você, caro leitor, que tem sede tanto da Palavra de Deus como de solucionar aquilo que parece ter um pouco de dificuldade para nossa compreensão, até mesmo porque o texto sagrado em voga foi escrito em uma época muito diferente e anterior à nossa.

Mas preste bastante atenção no que vou dizer: "jamais tome nossas pequenas pesquisas como esgotamento para qualquer que seja o assunto tratado, pois nossa intenção, como já disse, não é dar a palavra final ou esgotar o tema, mas sim ajudar nossos amados leitores." Então vamos em busca da solução (não total) da pergunta acima?


"Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra.
Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada."


No AT, os assassinos recebiam a pena capital pelo seu crime (Gn 9:6; Êx 21:12). Contudo, Caim não somente saiu livre, depois de matar seu irmão, como também foi protegido de qualquer vingança (Gn4:15).

Há várias razões pelas quais Caim não foi executado pelo seu crime capital.

Primeiro, Deus não havia ainda estabelecido a pena de morte como instrumento do governo humano (cf. Rm 13:1-4). Somente depois de a violência ter enchido toda a terra, nos dias anteriores ao dilúvio, foi que Deus determinou: "Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem" (Gn 9:6).

Segundo, quem seria o executor de Caim? Ele acabara de matar Abel. A essa altura, apenas Adão e Eva tinham restado naquela faixa de terra. Certamente Deus não iria apelar aos pais para que matassem o filho remanescente. Em face disso, Deus, que é soberano sobre a vida e a morte, como somente ele é (Dt. 32:39), pessoalmente substituiu a pena de morte de Caim. Entretanto, ao agir assim, Deus demonstrou a gravidade do pecado de Caim e deu-nos a entender que ele era digno de morte, ao declarar: "A voz do sangue de teu irmão clama [por vingança] da terra a mim" (v. 10). Não obstante, até mesmo Caim parece ter reconhecido que ele era merecedor da morte, e pediu proteção a Deus (v. 14).

Terceiro, apesar de Deus ter substituído a sua pena, ainda assim teve uma pena muito dura pois, Deus lhe prometeu uma existência miserável e esquálida por causa da maldade que cometera. O primeiro homicídio de que se tem notícia na Palavra de Deus foi punido com uma sentença perpétua, e não com a pena de morte, a qual o próprio Caim chama de pesada demais: "É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo!" (Gên. 4:13).[¹]

Finalmente, a promessa de Deus para proteger Caim da vingança incluía a pena capital para quem quer que tomasse a vida dele (cf. v. 15). Dessa forma, o caso de Caim é uma exceção que prova a regra, e que de forma alguma vai de encontro à pena de morte, tal como estabelecida por Deus.

Fontes: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.
[¹]CHAMPLIN, Russel Norman. O Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. 2ª Ed. São Paulo: Editora Hagnos, 2001.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Como foi que Deus "desceu" do céu, uma vez que ele já estava aqui (como está em toda parte)?

"Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam;"
(Gênesis 11:5)

Muitos críticos da Palavra de Deus se aproveitam desse versículo para mostrar que o homem tem noções nada criativas a respeito de Deus, levando a pensar também que nem mesmo o autor de Gênesis teria escapado de tal pensamento, ou seja, pensar que Deus teria descido de sua habitação celestial para espiar uma torre e uma cidade que estavam sendo edificadas. Mas, primeiramente, uma das coisas que temos que pensar ou entender que isso se trata de uma linguagem antropomórfica¹ (em outros casos usa-se o antropopatismo²) a qual que é bastante corriqueira na Bíblia, usada para ajudar ao leitor a entender o que quer dizer o texto bíblico.

Jonh Gill, citado por Champlin em seu livro "O Antigo Testamento Comentado" p.95 afirma que "Deus não desceu local ou visivelmente, sendo Ele imenso, Onipresente e invisível..." pois tudo isso foi dito à maneira que os homens pudessem entender.

Deus é onipresente, isto é, ele está em todo lugar ao mesmo tempo (SI 139:7-10). Gênesis 11:5 declara que Deus "desceu" para ver a cidade que os homens edificavam. Mas se ele já estava aqui, como é que ele "desceu" até aqui?

Deus "desceu" é uma teofania, que significa uma manifestação especial, e num determinado local, da presença de Deus. Estas teofanias ocorriam frequentemente no AT. Certa vez, Deus apareceu a Abraão como homem (Gn 18:2). Deus também desceu para falar com Moisés (Êx 3), com Josué (Js 5:13-15) e com Gideão (Jz 6), de maneira semelhante.

Fontes: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.
¹KASCHEL, Werner; ZIMMER, Rudi. Dicionário da Bíblia de Almeida: 2ª Ed. São Paulo: SBB, 1999. p. 35
¹ANTROPOMORFISMO: [Do gr. anthropos, homem; e morphe, forma]. Linguagem figurada para falar de Deus como se ele tivesse forma, membros, órgãos e sentimentos humanos. Exemplos: face (Êx 33.20), boca (Mq 4.4), olhos (Jó 34.21), ouvidos (Sl 17.6), braço (Is 52.10), mão (1Pe 5.6) etc.
²ANDRADE, Claudionor C. Dicionário Teológico: Um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores. 9ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000. p. 46
²ANTROPOPATISMO: [Do gr. anthropos, homem; pathos, sentimento]. Atribuição de sentimentos humanos a Deus. Figurativamente encontramos várias expressões como esta: a ira de Deus, o arrependimento de Deus etc. Tais expressões são usadas para que o ser humano possa entender a ação divina na história sagrada. É uma forma dos autores sagrados dizerem que o Criador não é indiferente ao que acontece nesse mundo...
CHAMPLIN, Russel Norman. O Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. 2ª Ed. São Paulo: Editora Hagnos, 2001.

Por que este versículo dá a entender que a humanidade tinha muitas línguas, já que Gênesis 11:1 diz que havia uma única língua?

"Por estes foram repartidas as ilhas dos gentios nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, entre as suas nações."
(Gênesis 10:5)
"Estes são os filhos de Cão segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, em suas terras, em suas nações."
(Gênesis 10:20)
"Estes são os filhos de Sem segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, nas suas terras, segundo as suas nações."
(Gênesis 10:31)

Os textos de Gênesis 10:5,20,31 parecem indicar que havia muitos dialetos, o que aparentemente está em conflito com Gênesis 11:1, que de forma bem clara diz que "em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar".

Estes textos referem-se a dois tempos diferentes. Anteriormente, enquanto estavam mantendo suas distinções tribais, os descendentes de Cam, Sem e Jafé, todos eles falavam a mesma língua.

Posteriormente, com a torre de Babel (Gn 11), Deus puniu os homens pelo projeto com o qual se rebelavam contra ele, confundindo-lhes a fala. Como resultado, as tribos não mais conseguiam comunicar-se umas com as outras, embora possivelmente às subtribos e aos clãs tenha sido permitido uma linguagem compreensível, para que assim continuassem a se comunicar entre si.

Fonte: GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. 1ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

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