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terça-feira, 19 de março de 2013

Eclesiologia (A Doutrina da Igreja) II Parte

Nesta segunda parte de nosso estudo sobre a Igreja, abordaremos alguns pontos bastante polêmicos, dentre os quais a questão do seu sustento e liderança, sem deixar de lado a questão da natureza da mesma.

Como já aprendemos na primeira parte deste estudo, a Igreja é, sem querer pretender esgotar o assunto, a comunidade de todos os verdadeiros cristãos salvos de todos os tempos. Esta definição refere-se a igreja como constituída por todos os que são verdadeiramente salvos. O apóstolo Paulo quando fala da Igreja, diz: "Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela" (Ef 5:25). Perceber-se aqui que o termo igreja é usado para aplicar a todos aqueles por quem Cristo morreu para redimir os seus pecados através de sua morte. Isso inclui os crentes de todos os tempos, crentes na era do N.T. e os crentes na era do A.T. também. O plano de Deus em relação à Igreja é tão grande que tem Cristo exaltado a uma posição de maior autoridade para o bem da igreja: "Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés, e lhe deu como cabeça sobre tudo para a igreja. Este, que é seu corpo, a plenitude d'Aquele que preenche tudo em todos" (Ef 1:22-23).

O próprio Senhor Jesus é quem edifica a sua Igreja, chamando para si mesmo as pessoas. Ele disse: "Eu edificarei a minha Igreja" (Mat. 16:18). Por isso, eu creio que por maiores que sejam os problemas que a Igreja do Senhor tenha que enfrentar, ela sempre terá sua edificação, por que esta vem do Senhor. Ainda que surjam as piores heresias, os piores líderes, Deus sempre reservará para si uma parcela incontaminada e que desfrutará de real edificação. Palavras do Mestre:"Eu edificarei a minha Igreja". As vezes percebe muitos pastores e líderes brigando entre si para ver quem tem maior razão, querendo que suas opiniões pessoais prevaleçam em detrimento da dos outros, acusando "A" ou "B" de distorções doutrinárias, etc...Quero dizer que essas coisas sempre existiram e sempre existirão (não estou querendo dizer com isso que não devemos combater o erro, não), o que quero dizer é que se Jesus disse que edificaria a sua Igreja, Ele é Fiel e o fará.

Podemos testificar isso em Atos quando o nosso irmão, o Dr. Lucas nos mostra que o crescimento da Igreja veio não apenas pelo esforço humano, mas que "...todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar" (At. 2:47).

O sustento da Igreja

Dízimos e ofertas:
Esta forma de sustento pela qual a Igreja é mantida, tem sido rechaçado por muitas igrejas hoje, afirmando que os dízimos estão restritos ao A.T., ou seja, deveriam ser praticado apenas na Antiga Aliança. Porém, não são ordenados apenas no A.T., mas no N.T. também. Notamos que o próprio Jesus recomendou o dízimo: "Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas." (Mateus 23:23), ou seja, pratiquem a justiça, a misericórdia e a fidelidade sem deixar de praticar o dízimo. Dar o dízimo na época de Jesus era algo comum e que ninguém argumentava contra simplesmente por ser algo que fazia parte do cotidiano do povo (Luc. 18:12). Há aqueles que afirmam que Abraão deu o dízimo dos despojos de guerra, e estão corretos. "Mas dinheiro em moeda não era algo muito comum naquela época, sendo que já havia cunhagem de moedas, porém as moedas surgiram em maior quantidade nos dias do N.T. e haviam tantos tipos de dinheiro que geravam confusão"[1]. Ainda outras referências:

  • Hebreus 7:2-4; Heb. 7:5,8
  • Luc. 11:42
  • Marc. 12:41-44
  • II Cor. 9:7
Os oficiais (líderes) da Igreja
  • Pastores ou presbíteros (I Tm 3:1-7; Tt 1:5-9)
  • Diáconos (I Tm 3.8-13; At 6.1-7)
O que vem a ser um pastor?

É o apascentador, termo que faz referência ao pastor e o seu rebanho (igreja). Em termos eclesiástico, é o pastor do rebanho (igreja) e tem como principal função a de administrar a Igreja de Cristo (I Ped. 5:1-8). Apesar de ser administrador do rebanho, precisa se destacar como expositor dos conselhos divinos (At. 20:27).

E o bispo?

Seria o superintendente, o supervisor. [Do grego. episkopos, vigilante, superintendente]. Em algumas modalidades de governos, eclesiásticos, é o oficial encarregado de supervisionar uma circunscrição composta de várias igrejas de igual fé e ordem.

O Presbítero

A tradução ao pé da letra é velho, ancião. J.H. Thayer diz que "presbítero indica a dignidade de ofício, enquanto bispo indica a função” (Eclesiologia. pág. 39. Enéas Tognini). Alguns estudiosos entendem que estes três títulos são sinônimos e portanto referem-se às mesmas funções; enquanto outros os aceitam em separado.

Os cinco ministérios citados no N.T. pelo apóstolo Paulo

Os cinco ministérios estão relacionados em Efésios 4:11 (ver também I Co 12:28-31) e são indispensáveis para a edificação da Igreja:

Apóstolo: O líder que implanta uma Igreja local, assenta os fundamentos e segue adiante para abrir outras Igrejas. Este ministério foi de extrema importância para a expansão das Igrejas primitivas (Lc 11:49; I Co 12:28; Ef 2:20). Na igreja primitiva eles tinham autoridade para falar e escrever palavras que eram "palavras de Deus" em um sentido absoluto. Não acreditar neles ou desobedecê-los era desobedecer a Deus. Os apóstolos tiveram autoridade para escrever palavras que vieram a ser as palavras da Escritura. Este fato em si deve sugerir que havia algo especial sobre o ofício de apóstolo, e não se deve esperar que continuam até hoje, porque ninguém pode agora adicionar palavras à Bíblia e esperar que elas sejam consideradas como as próprias palavras de Deus ou como parte das Escrituras. Além disso, as informações do Novo Testamento sobre as qualificações de um apóstolo e da identidade dos apóstolos também nos leva a concluir que o escritório era única e limitada ao primeiro século e não devemos esperar mais apóstolos hoje, não pelo menos no contexto dos doze.

Profeta: Aquele que tem uma mensagem oportuna do coração e mente de Deus. No A.T. era a pessoa divinamente vocacionada e autorizada por Deus para falar por Ele e em seu lugar (Ez. 2:1-10). O profeta do A.T. era incontestável quando falava sob a inspiração do Espírito Santo. Já o que detém o dom de profetizar no N.T. não tem autoridade para modificar artigos de fé, alterar doutrinas ou trazer novas revelações, só fala aquilo que está de acordo com o que Deus já revelou nas Escrituras (I Cor. 14:26-40; Ap. 22:18-19). Sua função está associada a exortar, consolar e edificar o povo de Deus.

Evangelista: É o pregador do Evangelho. Sua mensagem tem forte ênfase na salvação dos pecadores e tem habilidade dada por Deus para trazer um grande número de pessoas para a Igreja local. Este possui um dom ministerial concedido pelo Espírito Santo, através do qual o obreiro cristão é impulsionado a proclamar com singular eficiência a mensagem evangélica. Filipe, por exemplo, possuía este dom. Apesar de ter sido escolhido para ser diácono, sua verdadeira vocação era o evangelismo. De maneira geral, todos os cristãos são evangelistas, pois todos temos a função de evangelizar, porém alguns são escolhidos para realizar esta obra de forma mais dinâmica e eficaz.

Pastor: É aquele que tem o coração de um pastor de ovelhas. Alimenta as ovelhas, cuida, dirige, protege, corrige e consola o povo de Deus num contexto de Igreja local.

Mestre: Aquele que se destaca pelo ensino da Palavra de Deus. Procura ensinar as verdades divinas tanto de forma prática quanto pessoal (Ne 8:4-8).

COMENTÁRIO
"Estes cinco ministérios estão presentes na Igreja atual. Um só
líler pode desenvolver dois ministérios ao mesmo tempo. O pastor,
por exemplo, pode receber de Deus o dom de mestre.
A questão é que, por falta de uma boa compreensão, estes cincos
ministérios não são devidamente valorizados e muitas vezes são
confundidos. Evangelistas são chamados de pastores, pastores são
chamados de apóstolos, etc.
Um evangelista desenvolvendo o trabalho de pastor pode trazer
grandes transtornos para a Igreja local. Este pode atrair muitas
pessoas a Cristo, mas seu ministério não tem sustentação para
conservá-las na Igreja”.

As disciplinas na Igreja

Disciplina Formativa: Formar no cristão o caráter de Cristo. Esta é a mais importante por ser preventiva.
Disciplina Corretiva: Correção do cristão faltoso (Mt 18:15-20; G1 6:1).
Disciplina Cirúrgica: Exclusão do membro faltoso que não demonstra arrependimento e cujo mau testemunho prejudica a Igreja local e trás escândalos para com os descrentes (Mt 18:17). Esta é a última instância.

A disciplina na Igreja é um aspecto de usar a autoridade da Igreja e é apropriada não para envergonhar os que estiverem debaixo dela, mas para restaurar e reconciliar o fiel, que por algum motivo tenha se extraviado. O pecado impede a comunhão entre Deus e o crente. Para que haja comunhão ou reconciliação é preciso lidar com o pecado. Portanto, o objetivo da disciplina nas igrejas é garantir as metas de restauração do "infrator" para reencaminhá-lo para um testemunho apropriado e de reconciliação entre eles mesmos e Deus. Paulo nos lembra que para restaurar o irmão ou a irmã que pecou, devemos fazer de forma gentil (Gál. 6:1).

Outro aspecto da disciplina é impedir que o pecado se 'alastre e contamine' outras pessoas dentro da Igreja. Além do mais, a disciplina também protege a pureza da Igreja e a honra de Cristo. É bom lembrarmos que nenhum crente no Senhor Jesus está isento de cometer pecados, e todos nós temos pecado, o que não podemos fazer é ficar de braços cruzados esperando que este nos impeça de crescer no Senhor, por isso necessitamos ir para os pés do Senhor e nos confessarmos. Muitos vivem em situações de pecados constantes e que escandalizam principalmente os de fora, e fazendo isso estão desonrando a Cristo.

A missão da Igreja

Em relação a Deus, a Igreja tem a incumbência de adorá-Lo e glorificá-Lo (Jo. 4:23; Ef. 1:11-12). Paulo diz: "Cantem salmos, hinos e cânticos espirituais a Deus com gratidão em vossos corações" (Col. 3:16).

Em relação a si mesma, a Igreja precisa edificar a si mesma, cuidando uns dos outros e promover o seu próprio crescimento qualitativo e quantitativo (Ef. 4:15-16).

Em relação ao mundo, a Igreja precisa pregar o Evangelho ao perdido e fazer discípulos (Mat. 28:18-20); At. 1:8). Este é o mais importantes papel da Igreja para o mundo. O seu Amor precisa ser levado a todos.

Quais as condições para pertencer a uma igreja?

Confessar Jesus com Senhor e Salvador (Rm 10:9-10).
- Ser regenerado ou nascido de novo (Jo 3:3).
- Demonstrar genuíno arrependimento (Mt 3:2,8).
- Ser batizado (Mt 28:19,20).

Deus abençoe a sua vida.

www.oucaapalavradosenhor.com

Bibliografia:
CAMPOS, Geraldo M. Teologia em Perguntas e Respostas: 1ª Ed. Minas Gerais.
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática: Autal e Exasutiva. Nova Ed. São Paulo: Vida Nova, 2011.
HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal: 1ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
ANDRADE, Claudionor C. Dicionário Teológico: Um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores: 9ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
[1]GROWER, Ralph. Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos: 1ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002. (pag. 175).

segunda-feira, 18 de março de 2013

Eclesiologia (A Doutrina da Igreja) I Parte

Eclesiologia é o estudo acerca da igreja. Ekklesia, (grego) Assembleia, reunião. Logia (grego) Estudo, trado. Portanto, vemos que a palavra "igreja" quer dizer assembleia, reunião ou congregação. Esta palavra tem um sentido prático que quer dizer "os que foram chamados para fora". Daí podemos entender que "igreja" é composta de pessoas que "foram chamadas para fora do mundo" para viver de acordo com a vontade de Deus. Vemos este termo sendo usado a primeira vez pelo Senhor Jesus em Mateus 16:18: "Edificarei a minha igreja".

Além do termo "Igreja" mais usado comumente no N.T., também podemos ver um outro termo usado no N.T. e que também é usado por algumas igrejas hoje, é o termo Comunidade. Aparece cerca de quatro vezes no N.T. (At. 6:2,5; 15:30), sendo que uma delas se refere a Israel e não à Igreja (Ef. 2:12). De fato, os textos que podemos ler em Atos são históricos e confiáveis, e que se referem a comunidade do povo de Deus, porém o nome que Jesus deu à sua igreja pela primeira vez foi "Igreja" (Mat. 16:18). Este é o nome que em todo o N.T. é aplicado pelos apóstolos nas Cartas às Igrejas.

Em Apocalipse 2 e 3, vemos Jesus falando às sete Igrejas da Ásia. O termo Comunidade tem sido adotado por algumas igrejas hoje por motivos vários, entre eles:
  • Enfatizar a comunhão entre os membros;
  • Dar valor aos relacionamentos e o discipulado, aproximando-as umas das outras;
  • Mostrar aos membros que fazem parte de uma família no Senhor, etc...
Vale lembrar que muitas tem crescido e desenvolvido um excelente trabalho, frutificando para o Senhor, e quando há frutos que glorificam o Senhor, devem ser respeitadas. É claro que o termo mais bem fundamento nas Escrituras é "Igreja". Tanto pela declaração do Senhor Jesus, quanto pela declaração dos apóstolos. Mas deixamos bem claro, que o termo "Comunidade" também foi usado e se referia ao povo de Deus.

Qual é o Fundamento da Igreja?

Podemos ler na Palavra de Deus que a Igreja do Senhor Jesus tem um fundamento, e de acordo com o Evangelho de Mateus 16:3-19 e I Cor. 3:10-17, o fundamento da Igreja é Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo. Não há outro fundamento além d'Ele (I Cor. 3:11). O fundamento da Igreja é o próprio Senhor Jesus (Mat. 16:3-19) Ele é a Pedra Angular (I Ped. 2:4-8). Ninguém pode lançar outro fundamento além do que já está posto, que é Jesus. Infelizmente há aqueles que querem pregar um outro evangelho, um outro fundamento tanto ao lado de Jesus como substituindo-O, porém as Escrituras deixam claro, não há outro.

O outro lado deste fundamento é o ensino dos apóstolos e dos profetas que aponta para a pessoa de Jesus Cristo e seus ensinamentos (Ef. 2:20).

A Igreja

A Igreja pode ser entendida como igreja universal e igreja local:
  • Igreja universal. "É espiritual, composta de todos os crentes em todos os tempos e em todos os lugares, os quais aceitaram a Cristo como cabeça". Esta concepção aparece em Hebreus 12:22; Ef. 3:10; 5:23-32; Col. 1:18, 24; I Tim. 2:15).
  • Igreja local. “E uma reunião de pessoas regeneradas e biblicamente batizadas que, num determinado lugar, voluntariamente se reúnem, de acordo com as leis de Cristo, a fim de assegurar o pleno estabelecimento do Seu Reino neles próprios e no mundo”. Trata-se de um organismo local ou corpo de Cristo local (At 16:5; Rm 16:4; I Co 7:17; II Co 1:1; Cl 4:15; I Ts 1:1).
Ainda podemos ver outros termos como:
  • Igreja dos Primogênitos: Mencionada uma vez em Hb 12:23. São identificados com aqueles que foram salvos e já desfrutam da Glória e do gozo do Senhor.
  • Militante: É a Igreja que está militando. lutando aqui na terra para cumprir sua missão.
  • Triunfante: Igreja arrebatada, vitoriosa. Igreja que será a reunião de todos os crentes que perseverarem e saíram vencedores.
Símbolos da Igreja
  1. Edifício: Como edifício, a Igreja tem o fundamento, que é o Senhor Jesus, a '‘Pedra Angular” (I Co 3:10,11; Ef. 2:20-22). Nesse edifício, cada crente é um tijolo, uma pedra (I Pd 2:5).
  2. Lavoura: A Igreja é a lavoura de Deus e precisa de cuidados para frutificar (I Co 3:6-9).
  3. Noiva: Como noiva a Igreja tem Jesus, que é o seu noivo. Ela é submissa a Ele (Ef 5:22-33). E ainda como noiva, ela deve se apresentar ao Senhor pura, sem ruga, sem defeito (Ef. 5:26,27) e virgem (II Co 11:2).
  4. Corpo: Este é o símbolo mais conhecido para a Igreja. De fato a Igreja é o Corpo de Cristo visível e atuante aqui na terra e cada discípulo deve ser um membro ativo e em pleno funcionamento (I Co 12:12-27).
  5. Casa: O termo grego usado pelo apóstolo Paulo em I Tm 3:14-16 (v. 15) quer dizer família, e não edifício. A Igreja é a família de Deus, que é o nosso Pai, e Jesus é o nosso irmão maior.
  6. Coluna: A coluna da Verdade neste mundo em oposição às mentiras de satanás (I Tm 3:15).
  7. Rebanho: Este é outro símbolo muito usado (At 20:28; I Pd 5:2).
  8. Luz e Sal: Luz para brilhar nas trevas e sal para provocar sede de Deus nos homens e conservar a sociedade para que esta não se corrompa no pecado (Mt 5:13-16).
Esta Igreja, tem um fundador, ao contrário do que muitos dizem, não foi Pedro, mas é claramente dito aos fiéis que é o Senhor Jesus (Mat. 16:18), e do ponto de vista do plano de Deus, a Igreja estava nos planos de Deus que remontam à eternidade. Do ponto de vista histórico, ela surgiu ou nasceu como autêntica obra da autoria de Nosso Único Senhor e Salvador Jesus Cristo. Como já citamos, do ponto de vista divino, Deus elegeu a sua Igreja antes da fundação do mundo (Ef. 1:4). No tempo do ministério de Jesus aqui na terra, podemos dizer que a Igreja estava em fase embrionária e em Pentecostes nasceu como um organismo vivo (At. 2:1-4).

Ordenanças para a Igreja e significados

  • O Batismo e a ceia do Senhor. Batismo (grego, Baptizo) significa mergulhar, imergir (Mat. 28:19; Rom. 6:1-8). O ato de mergulhar simboliza a morte, sepultamento e ressurreição em Cristo (Rom. 6:4). É uma ordenança de Cristo (Mat. 28:18-20; Marc. 16:15-16). Este ato é uma ordem do Senhor Jesus, ato este que admitia a pessoa à igreja cristã local, e é para os que creem (Marc. 16:16). Quanto à forma de se batizar, biblicamente falando é usada a imersão ou mergulho como podemos ver no exemplos bíblicos: Os israelitas na travessia do Mar Vermelho (I Cor. 10:1-2); João Batista sempre batizava onde havia muita água (Jo. 3:23), ou seja, no rio Jordão; Jesus após o seu batismo saiu da água (Mat. 3:16); o eunuco da Etiópia desceu até a água e saiu após ser batizado (At. 8:38-39). E a forma como deveria ser feito Jesus ensinou e deixou bem claro: "...Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mat. 28:19). É um sinal de arrependimento e perdão (At. 2:38); união com Cristo (Gál. 3:26-27), tanto em sua morte como em sua ressurreição (Rom. 6:3-5).

COMENTÁRIO
A fórmula: “Batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo” (Mt 28.19). Como vamos reconciliar isso com o mandamento
de Pedro: “...cada um de vós seja batizado em nome de Jesus
Cristo”? (At 2.38). Estas últimas palavras não representam uma
fórmula batismal, porém uma simples declaração afirmando que
recebiam batismo as pessoas que reconheciam Jesus como Senhor
e Cristo. Por exemplo, o “Didaquê”, um documento cristão escrito
cerca do ano 100 A.D., fala do batismo cristão celebrado em nome
do Senhor Jesus, mas o mesmo documento, quando descreve o rito
detalhadamente, usa a fórmula trinitária” (Conhecendo as Doutrinas
da Bíblia, páginas 220 e 221, Myer Pearlman).
Portanto, diante do que podemos ver na Palavra de Deus, a forma bíblica do batismo é o mergulho ou imersão e a fórmula é em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mat. 28:19).
  • A Ceia do Senhor: (Mt 26:26-30; I Co 10:16,17, 11:23-32). Há quatro tipos de ensino: Transubstanciação: Ensino do catolicismo romano de que o pão e o vinho se transformam literalmente no corpo e sangue de Cristo. Consubstanciação: Ensino da Igreja Luterana de que Cristo de alguma forma se faz presente nos elementos da ceia. Benção Inerente: Ensino de algumas Igrejas evangélicas de que há uma bênção especial nos elementos da ceia. Ceia Simbólica: Pensamento mais comum nas Igrejas evangélicas e coerente com o ensino bíblico de que a ceia é um simbolismo ou memorial do sacrifício de Cristo. Esta é a posição dos batistas e grande parte das Igrejas evangélicas. “fazei isto em memória de mim.” (I Co 11:24,25).
Acompanhe a segunda parte deste estudo.

Deus abençoe a sua vida.
www.oucaapalavradosenhor.com

Bibliografia:
CAMPOS, Geraldo M. Teologia em Perguntas e Respostas: 1ª Ed. Minas Gerais. pág. 71 - 78.
KASCHEL, Werner; ZIMMER, Rudi. Dicionário da Bíblia de Almeida: 2ª Ed. São Paulo: SBB, 1999.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Qual é a igreja verdadeira?

"Ele vai levar a sua igreja, igreja gloriosa, sem mácula, mas
santa e irrepreensível"
Esta é uma pergunta que talvez a maioria dos cristãos já tenha tido a curiosidade de fazer no início da caminhada cristã. Quando alguém se converte genuinamente ao Senhor, o desejo dessa pessoa é servir a Deus em um lugar que de fato esteja dentro dos moldes bíblicos. Mas será que podemos dizer que esta igreja ou aquela é que é a verdadeira igreja do Senhor? Ou será que igreja do Senhor vai além dos templos?

É muito comum vermos pessoas "ultra-denominacionalistas" dizerem que a sua igreja é a certa e que fora desta igreja não há salvação, neste caso, nosso conselho é: 'abra o olho'. A salvação está no Senhor Jesus. Igrejas com este tipo de conceito não se enquadram nos moldes bíblicos. Mas vale salientar que deve usar a Bíblia como regra de fé.

"Mas, então, qual a igreja que Jesus vai levar para a sua glória?

"Ele vai levar a sua Igreja (Mt 16:18), "igreja gloriosa, sem mácula, mas santa e irrepreensível" (Ef 5:27), esta sim, é a igreja do Senhor, que se reúne para adorá-Lo e o reconhece como Supremo Legislador. A igreja pode existir independente de ter uma forma visível, porque ela é tanto visível como invisível. A igreja do Senhor se compõe de todos os que estão realmente unidos a Cristo, e formam o corpo de Cristo independente de raça, cor, condição financeira (I Cor. 1:2; 12:12-13 e 27-28; Col. 1:24; I Ped. 2:9-10). Os que se sentem vinculados genuinamente a essa Igreja, estejam certos e seguros de que subirão com Cristo, respeitando as palavras de Cristo em Mateus 24:13.

"Seus membros são conhecidos por Deus"
A verdadeira igreja do Senhor, é templo do Espírito Santo e é composta de membros conhecidos por Deus, ainda que não possam ser conhecidos com exatidão por vista humana. Esses membros são verdadeiros seguidores de Cristo que se reúnem para adorar ao Deus verdadeiro, aprender, ensinar, evangelizar e ajudar uns aos outros (Rom. 16:16). Podemos dizer também que a igreja é composta pela totalidade de pessoas salvas em todos os tempos (Ef. 1:22-23), que aceitaram o sacrifício vicário de Cristo e tem a Palavra de Deus como sua única regra de fé e conduta (Ef. 5:30-33).

A igreja pode ser entendida como igreja Universal e igreja Local. "A igreja Universal, é mística (espiritual), composta de todos os crentes em todos os tempos e de todos os lugares, os quais aceitaram Cristo como cabeça" (Hb 12:22; E f 3:10; 5:23,24,27,29,32; Cl 1:18,24; I Tm 3:15). 

"A igreja Local é uma reunião de pessoas regeneradas e biblicamente batizadas, que em um determinado lugar, voluntariamente se reúnem, de acordo com os ensinos de Cristo, a fim de assegurar o pleno estabelecimento de seu Reino neles próprios e no mundo" (At 16:5; Rm 16:4; I Co 7:17; II Co 1:1; Cl 4:15; I Ts 1:1). Existem ainda outros termos para designar a igreja como também símbolos para representar a mesma, ordenanças, etc., mas disso, possivelmente falaremos em uma próxima oportunidade.

Bibliografia:
A Bíblia Responde. 2ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983.
DAVIS, John D. Dicionário da Bíblia de John Davis: 3ª Ed. São Paulo: Hagnos, 2005.
KASCHEL, Werner; ZIMMER, Rudi. Dicionário da Bíblia de Almeida: 2ª Ed. São Paulo: SBB, 1999.
ANDRADE, Claudionor C. Dicionário Teológico: Um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores. 9ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
CAMPOS, Geraldo M. Teologia em Perguntas e Respostas.
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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Trecho do livro "Dê outra chance à Igreja" de Todd Hunter

Hoje no mundo, existem inúmeras pessoas desiludidas com suas igrejas e que por algum motivo não querem mais frequentar qualquer culto público, estão cansadas e desiludidas. Muitos ainda hoje desconhecem a real sentido da igreja, desconhecendo que igreja não é apenas um lugar para ser frequentado, ou ainda para ir aos dias de domingo.

Este livro "Dê outra chance à Igreja" irá ajudar ao leitor a redescobrir a igreja e suas práticas espirituais dadas a Deus para a mesma.

Click na imagem para ler o livro e em seguida expandir para ler em tamanho gigante:

Open publication - Free publishing

"'Dê Outra Chance à Igreja' é um convite desafiador para entendermos novamente o lugar do culto de domingo no contexto de toda a semana." Robert Duncan, arcebispo da Igreja Anglicana da América do Norte
Onde comprar: Editora Ultimato 

FICHA TÉCNICA

Autor: Todd Hunter
ISBN: 978-85-7779-064-7
Páginas: 184
Formato: 14 x 21
Código: 41.61
Preço: R$ 32,20
Editora: Ultimato

terça-feira, 12 de junho de 2012

A Igreja do Novo Testamento. Parte II

Um Breve Histórico da Igreja
À medida que a Igreja crescia, no decurso dos séculos que sucederam a era do Novo Testamento, seu caráter so­freu várias alterações, algumas das quais se afastavam muito dos ensinos e padrões da Igreja do primeiro século. Há obras excelentes a respeito da história do Cristianismo, que dariam ao leitor uma perspectiva mais ampla e nítida sobre a trajetó­ria da Igreja. Visando os propósitos específicos deste capítulo, porém, são cabíveis algumas breves observações.

Durante a era patrística (o período antigo dos pais da Igreja e dos apologistas da fé), a Igreja experimentou dificul­dades externas e internas. Externamente, sofria perseguições severas pelo Império Romano, especialmente durante os tre­zentos anos iniciais. Ao mesmo tempo, dentro da Igreja desenvolviam-se numerosas heresias, que a longo prazo re­velaram-se mais desastrosas que as perseguições.

A Igreja, pela graça soberana de Deus, sobreviveu a esses tempos árduos e continuou crescendo, mas não sem algumas mudanças de consequências negativas. No esforço para manter a união, a fim de melhor resistir às devassas causadas pelas perseguições e heresias, a Igreja cada vez mais cerrava fileiras com os seus líderes, elevando a autoridade destes. Especial­mente depois de conseguirem a paz e harmonia política com o governo romano do século IV, a hierarquia religiosa foi subindo de categoria. A medida que era aumentada a autori­dade e o controle dos clérigos (especialmente dos bispos), diminuía a importância e a participação dos leigos. Dessa maneira, a Igreja se tornava cada vez mais institucionalizada e menos dependente do poder e orientação do Espírito San­to. O poder do bispo de Roma e da igreja sob seu controle foi crescendo, de modo que, próximo do fim da Era Antiga, a posição de papa e a autoridade da organização, que começa­va a ser chamada Igreja Católica Romana, se solidificaram na Europa Ocidental. A Igreja ocidental, no entanto, sepa­rou-se e permaneceu sob a direção de bispos chamados "pa­triarcas".

Idade Média


Na Idade Média, a Igreja continuava seguindo em dire­ção à formalidade e ao institucionalismo. O papado procura­va exercer sua autoridade, não somente em questões espiri­tuais mas também nos assuntos temporais. Muitos papas e bispos tentaram "espiritualizar" esse período da história, no qual imaginavam o Reino de Deus (ou a Igreja Católica Romana) espalhando sua influência e regulamentos por toda a Terra. Tal atitude resultou numa tensão constante entre os governantes seculares e os papas pela manutenção do con­trole. Não obstante, com poucas exceções, o papado manti­nha a supremacia em quase todas as áreas da vida.

É certo que nem todos aceitaram a crescente secularização da Igreja e sua aspiração de cristianizar o mundo. Houve algumas tentativas notáveis de reformar a Igreja, na Idade Média, e de recolocá-la no caminho da verdadeira espiritua­lidade. Vários movimentos monásticos (por exemplo, os cluníacos do século X e os franciscanos do século XIII) e até mesmo leigos (os albigenses e os valdenses, ambos do século XII) fizeram esforços nesse sentido. Figuras de destaque, como os místicos Bernardo de Clarival (século XII) e Catarina de Siena (século XIV) e clérigos católicos, como John Wycliffe (século XIV) e John Hus (final do século XIV, início do século XV) procuravam livrar a Igreja Católica de seus vícios e corrupção e devolvê-la aos padrões e princípios da Igreja do Novo Testamento. A Igreja de Roma, no entanto, rejeitava de modo geral essas tentativas de reforma. Ao contrário, tornava-se cada mais endurecida na doutrina e instituciona­lizada na tradição. Semelhante atitude tornou quase inevitá­vel a Reforma Protestante.

No século XVI, surgiram grandes reformadores que to­maram a dianteira na revolução da Igreja: Martinho Lutero, Ulrich Zuínglio, João Calvino e John (João) Knox, entre outros. Juntamente com seus seguidores, compartilhavam de muitas das mesmas idéias dos reformadores que os antecederam. Entendiam que Cristo, e não o papa, era o verdadeiro cabeça da Igreja; as Escrituras, e não a tradição da Igreja, eram a verdadeira base da autoridade espiritual; e a fé somente, e não as obras, era essencial para a salvação. A Renascença ajudara a preparar o caminho para a introdução e aceitação dessas idéias, que haviam sido plenamente aceitas na Igreja do século I mas que agora pareciam radicais, na Igreja do século XVI. Os reformadores tinham opiniões diferentes entre si no tocante a muitas das doutrinas e práticas especí­ficas do Cristianismo, como as ordenanças e o governo da Igreja, conforme estudaremos em seções posteriores. Mas todos eles tinham em comum uma paixão pela volta à fé e prática bíblicas.

Nos séculos depois da Reforma (ou era da pós-Reforma), os indivíduos e as organizações têm seguido direções as mais variadas na tentativa de aplicar sua interpretação do cristia­nismo neotestamentário. Infelizmente, alguns têm repetido erros do passado, enfatizando os rituais e o formalismo da Igreja institucional, às custas da ênfase que a Bíblia dá à salvação pela graça mediante a fé e à vida no Espírito.

O racionalismo do século XVIII ajudou a montar o palco para muitos do ensinos modernistas e às vezes anti-sobrena­turais dos séculos XIX e XX. Louis Berkhof declara muito acertadamente que semelhantes movimentos têm levado "ao conceito liberal moderno de Igreja como um mero centro social, uma instituição humana, ao invés de plantio de Deus". De uma perspectiva mais positiva, no entanto, a era pós-Reforma também tem presenciado reações contra essas ten­dências sufocantes e liberalizantes. As reações surgiram de movimentos que têm ansiado por uma experiência genuína com Deus, e a têm recebido. O movimento pietista (século XVII), os movimentos morávio e metodista (século XVIII) e os grandes despertamentos, o movimento da Santidade e o movimento Pentecostal (séculos XVIII-XX), todos são indí­cios de que a Igreja fundada por Jesus Cristo (cf. Mt 16.18) ainda está com vida e saúde, e que continuará a progredir até sua segunda vinda. Glória seja dada a Deus somente!

Fonte:
HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal: 1ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996. (Ipsis Literis)


sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Igreja do Novo Testamento. Parte I

Uma área da teologia cristã frequentemente desprezada ou tomada por certa é a doutrina da Igreja. Tal descuido deve-se, em parte, à suposição comum de que algumas áreas do estudo teológico são mais essenciais para a salvação e a vida cristã, como por exemplo as doutrinas de Cristo e da salvação, ao passo que outras são realmente mais emocionantes, como as manifestações do Espírito Santo ou a doutrina das últimas coisas. A Igreja, por outro lado, é assunto que muitos cristãos consideram conhecido. Afinal de contas, tem sido parte regular de sua vida. Que proveito haveria no estudo extensivo de algo tão comum e rotineiro na experiência da maioria dos crentes? A resposta, logicamente, é: bastante.

As Escrituras, juntamente com a história do desenvolvimento e expansão do Cristianismo, oferecem uma riqueza de introspecções à natureza e propósito da Igreja. Adquirir melhor conhecimento teológico sobre a Igreja não é somente um exercício acadêmico digno de nossa atenção. Torna-se essencial para obtermos uma perspectiva correta da teologia que deve ser aplicada à vida diária.

A Igreja foi projetada e criada por Deus. É a sua maneira de prover alimento espiritual para o crente e oferecer uma comunidade de fé através da qual o Evangelho é proclamado e a sua vontade progride a cada geração. Logo, a doutrina da Igreja trata de questões de importância fundamental para o nosso comportamento cristão individual e a correta compreensão da dimensão corpórea da vida e ministério cristãos.

ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DA IGREJA

DEFINIÇÃO DE IGREJA

Jesus assevera, em Mateus 16.18: "Edificarei a minha igreja". Esta é a primeira entre mais de cem referências no Novo Testamento que empregam a palavra grega primária para "igreja": ekklêsia, composta com a preposição ek ("fora de") e o verbo kaleõ ("chamar"). Logo, ekklêsia denotava originalmente um grupo de cidadãos chamados e reunidos, visando um propósito específico. O termo é conhecido desde o século V a.C, nos escritos de Heródoto, Xenofontes, Platão e Eurípedes. Este conceito de ekklêsia prevalecia especialmente na capital, Atenas, onde os líderes políticos eram convocados como assembleia constituinte até quarenta vezes por ano. O uso secular do termo também aparece no Novo Testamento. Em Atos 19.32,41, por exemplo, ekklêsia refere-se à turba enfurecida de cidadãos que se reuniu em Éfeso para protestar contra os efeitos do ministério de Paulo. Na maioria das vezes, porém, o termo tem uma aplicação mais sagrada e refere-se àqueles que Deus tem chamado para fora do pecado e para dentro da comunhão do seu Filho, Jesus Cristo, e que se tornaram "concidadãos dos santos e da família de Deus" (Ef 2.19). Ekklêsia é sempre empregada às pessoas e também identifica as reuniões destas para adorar e servir ao Senhor.

A Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento, também emprega ekklêsia quase cem vezes, usualmente como tradução do termo hebraico qahal ("assembleia", "convocação", "congregação"). No Antigo Testamento, assim como no Novo, o termo às vezes se refere a uma assembleia religiosa (por exemplo, Nm 16.3; Dt 9.10) e em outras ocasiões a uma reunião visando propósitos seculares, até mesmo malignos (Gn 49.6; Jz 20.2; 1 Rs 12.3 etc). Uma palavra hebraica com significado semelhante a qahal é 'edah ("congregação", "assembleia", "agrupamento", "reunião)'. É de relevância notar que ekklêsia é frequentemente usada na Septuaginta para traduzir qahal, mas nunca 'edah'. Pelo contrário, esta última palavra é mais frequentemente traduzida por sunagõgê ("sinagoga")'. Por exemplo: a frase "comunidade de Israel" (Ex 12.3) podia ser traduzida por "sinagoga de Israel" se seguíssemos a versão da Septuaginta (ver também; Nm 14-lss.; 20.1ss).

A palavra grega sunagõgê, assim como seu equivalente hebraico, 'edah', tem o significado essencial de pessoas reunidas. Hoje, quando escutamos a palavra "sinagoga", usualmente temos o retrato mental de uma assembleia de judeus reunidos para orar e escutar a leitura e exposição do Antigo Testamento. Significado semelhante também se acha no Novo Testamento (Lc 12.11; At 13.42 etc). E, embora os cristãos primitivos costumassem evitar a palavra para descrever a eles mesmos, Tiago não a evita ao (Tg 2.2) referir-se aos crentes que se reuniam para adorar, talvez por serem os seus leitores convertidos judaicos, na sua maioria.

Como consequência, quer nos refiramos aos termos hebraicos comuns 'qahal' e 'edah', quer às palavras gregas sunagõgê e ekklêsia, o significado essencial continua sendo o mesmo: a "Igreja" consiste naqueles que foram chamados para fora do mundo, do pecado e da vida alienada de Deus, os quais, mediante a obra de Cristo na sua redenção foram reunidos como uma comunidade de fé que compartilha das bênçãos e responsabilidades de servir ao Senhor.

A palavra grega kuriakos ("pertencente ao Senhor"), que aparece apenas duas vezes no Novo Testamento (1 Co 11.20; Ap 1.10), deu origem à palavra Church - "igreja", em inglês (também Kirche, em alemão, e kirk, na Escócia). No cristianismo primitivo, tinha o significado de lugar onde se reunia a ekklêsia, a Igreja. O local da assembleia, independente do seu uso ou ambiente, era considerado "santo" ou pertencente ao Senhor, porque o povo de Deus se reunia ali para adorá-lo e servi-lo.

Hoje, "igreja" comporta vários significados. Refere-se frequentemente ao prédio onde os crentes se reúnem (por exemplo: "Estamos indo à igreja"). Pode indicar a nossa comunhão local ou denominação ("Minha igreja ensina o batismo por imersão") ou um grupo religioso regional ou nacional ("a igreja da Inglaterra"). A palavra é empregada frequentemente com referência a todos os crentes nascidos de novo, independentemente de suas diferenças geográficas e culturais ("a Igreja do Senhor Jesus Cristo"). Mas seja como for, o significado bíblico de "igreja" refere-se primariamente não às instituições e culturas, mas sim às pessoas reconciliadas com Deus mediante a obra salvífica de Cristo e que agora pertencem a Ele.


POSSÍVEIS ORIGENS NO NT

Nos círculos teológicos, a questão da origem exata da Igreja do Novo Testamento tem sido alvo de muitos debates. Alguns têm adotado uma abordagem bastante ampla, e sugerem que a Igreja existe desde o início da raça humana, incluindo todas as pessoas que já exerceram fé nas promessas de Deus, a partir de Adão e Eva (Gn 3.15). Outros apoiam um início veterotestamentário para a Igreja, especificamente nos relacionamentos pactuais entre Deus e o seu povo, a partir dos patriarcas e continuando durante o período mosaico. Muitos estudiosos preferem uma origem neotestamentária para a Igreja, mas neste contexto também há diferenças de opinião. Alguns, por exemplo, acreditam que a Igreja foi fundada quando Cristo começou publicamente seu ministério e chamou os 12 discípulos. Sobejam os pontos de vista, inclusive o de alguns ultradispensionalistas, que acreditam não ter a Igreja começado realmente antes do ministério e viagens missionárias do apóstolo Paulo.

A maioria dos estudiosos, quer sejam seus antecedentes pentecostais, evangélicos ou modernistas, acreditam que as evidências bíblicas são favoráveis ao dia de Pentecostes, em Atos 2, para a inauguração da Igreja.

Alguns, no entanto, reconhecem que a morte de Cristo efetivou a nova aliança (Hb 9.15,16). Por isso, entendem ser João 20.21-23 a inauguração da Igreja, como incorporação à nova aliança (cf. João 20.29, que demonstra já serem crentes os discípulos - já estavam dentro da Igreja antes de serem revestidos de poder pelo Espírito Santo).

Várias são as razões para crermos que a Igreja teve sua origem ou pelo menos foi publicamente reconhecida pela primeira vez no dia de Pentecostes. Embora na era pré-cristã Deus certamente se associasse a uma comunidade pactual de fiéis, não há evidências claras de que o conceito de Igreja existisse no período do Antigo Testamento. Ao citar expressamente ekklêsia pela primeira vez (Mt 16.18), Jesus falava de algo que iniciaria no futuro ("edificarei" [gr. oikodomêsõ] é um verbo no futuro simples, não uma expressão de disposição ou determinação).

Na condição de corpo de Cristo, é natural que a Igreja dependa integralmente da obra concluída por Ele na Terra (sua morte, ressurreição e ascensão) e da vinda do Espírito Santo (Jo 16.7; At 20.28; 1 Co 12.13). Millard J. Erickson observa que Lucas não emprega ekklêsia no seu evangelho, mas a palavra aparece 24 vezes em Atos dos Apóstolos. Este fato sugere que Lucas não tinha nenhum conceito da presença da Igreja antes do período abrangido em Atos. Imediatamente após àquele grande dia em que o Espírito Santo foi derramado sobre os crentes reunidos, a Igreja começou a propagar poderosamente o Evangelho, conforme fora predito pelo Senhor ressurreto em Atos 1.8. A partir daquele dia, a Igreja continuou a propagar-se e a aumentar no mundo inteiro, mediante o poder e orientação daquele mesmo Espírito Santo.

Fonte: HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal: 1ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Alguns fatos sobre a igreja do Senhor

O que não é a igreja? 

  • Não é um edifício no centro da praça
  • Não é uma construção de pedras ou blocos de cimento
  • Não é uma construção feita por mãos humanas
O que é a igreja?

  • É um edifício construído com pedras vivas (I Ped. 2:5). Portanto é composta pelos que creem no nome do Senhor Jesus e entregaram sua vida ao seu senhorio
  • É chamada de família de Deus
  • É edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas
  • Tem como Pedra Angular o Senhor Jesus Cristo
  • É santuário dedicado ao Senhor
  • É edificada para habitação de Deus no Espírito (Ef. 2:19-22)
  • É santificada na verdade de Deus (Jo. 17:16)
  • Deve viver em unidade (Jo. 17:21)
  • Deixa a prática do mal através da mensagem do Evangelho (II Tess. 2:13-14)
  • Se reúne para orar (At. 12:15)
  • Deve ser sem mácula (Ef. 5:27)
  • Foi comprada pelo sangue do seu Senhor (At. 20:28). Jesus não morreu em uma cruz para adquirir bens físicos, mas para comprar pessoas que estavam mortas no pecado para terem salvação e esperança de vida eterna (Rom. 5:8; I Cor. 6:19-20)
De onde vem o termo igreja?

Vem do grego ΕΚΚΛΗΣΙΑ-Igreja-Assembleia, ajuntamento, chamados para fora. Fomos chamados por Deus para sairmos para fora do mundo de pecado para servirmos ao Deus vivo e verdadeiro (Jo. 17:16). O termo igreja pode aparecer nas Escrituras para se referir à Igreja Local ou à Igreja Universal:
  • Igreja Local (I Cor. 1:2; Rom. 16:5)
  • Igreja Universal (Mat. 16:18)
Jesus Cristo habita em um organismo vivo (Jo. 14:23), não em uma organização humana e morta (At. 17:24). A igreja do Senhor Jesus é o corpo de Cristo, e nós somos esse corpo (I Cor. 12:27) que se submete ao Cabeça que é Cristo (Ef. 5:23). Foi dito por Jesus que as portas do inferno não podem prevalecer contra a igreja d’Ele (Mat. 16:18).

Ao estudarmos as Escrituras sobre a igreja do Senhor, entendemos que o assunto é muito extenso e abrange muito mais do que abordamos aqui, mas esperamos que este artigo possa ter lançado um pouco mais de luz para nosso amado leitor a respeito desse organismo vivo que é a igreja vencedora do Mestre dos mestres, Jesus Cristo.

Em Cristo, Luiz Rafael.
Graça e paz e Ouça a Palavra do Senhor

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